Pyongyang ameaça "guerra total" e "ataque preventivo"

A Coréia do Norte advertiu que um ataque preventivo dos Estados Unidos contra suas instalações nucleares provocará uma "guerra total", enquanto o resto do mundo tentava descobrir até onde o país comunista chegou na reativação das usinas. Num vago comunicado, a Coréia do Norte anunciou na quarta-feira que estava "agora colocando em operação suas instalações nucleares para a produção de eletricidade num ritmo normal, depois de sua reativação". Isto provocou temores de que Pyongyang esteja prestes a produzir materiais próprios para serem usados em armas nucleares."Estamos tentando vários canais para confirmar o que isso significa", disse um funcionário do Ministério do Exterior da Coréia do Sul, que pediu para não ser identificado.O comunicado da quarta-feira não esclareceu se a Coréia do Norte já havia religado seu reator nuclear e uma usina que poderia produzir plutônio, elemento usado em armas atômicas.A Coréia do Norte informou em dezembro que estava reativando suas instalações para produzir eletricidade. Mas autoridades dos EUA disseram que a quantidade de energia elétrica que a instalação pode produzir é mínima.A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA), baseada em Viena, explicou que não pode confirmar novas atividades nucleares no principal complexo nuclear da Coréia do Norte, em Yongbyon, porque seus inspetores foram expulsos do país em dezembro.Enquanto isso, a agência de notícias russa Itar-Tass, citando autoridades norte-coreanas não identificadas, divulgou que o comunicado de quarta-feira "não pode, de maneira nenhuma, ser interpretado no sentido de que as usinas nucleares da Coréia do Norte tenham retomado suas operações".Entre as principais operações nucleares em Yongbyon encontra-se um reator de 5 megawatts, o armazenamento de 8.000 barras de combustível processado e uma instalação onde essas barras podem ser reprocessadas a fim de produzir plutônio suficiente para a feitura de quatro ou cinco bombas, em poucos meses.O passo mais imediato que Pyongyang poderia dar provavelmente seria religar o reator, que pode produzir mais barras de combustível processado, disseram autoridades sul-coreanas.Mas oficiais dos EUA estão mais preocupados com as barras de combustível processado. Satélites espiões dos EUA detectaram recentemente caminhões aparentemente pegando cargas nas proximidades do local de armazenamento.Especialistas estão divididos sobre se a Coréia do Norte estaria removendo as barras para reprocessamento ou só fingindo fazê-lo, como um blefe para promover uma escalada nas tensões.Numa desafiante declaração, a Coréia do Norte garantiu hoje estar preparada para uma guerra contra os Estados Unidos."Quando os EUA fizerem um ataque de surpresa contra nossas instalações pacíficas, isso irá provocar uma guerra total", escreveu o jornal estatal Rodong Sinmun, num comentário divulgado pela agência oficial de notícias de Pyongyang, KCNA.Em Pyongyang, um porta-voz e um vice-diretor do Ministério do Exterior da Coréia do Norte disseram ao jornal londrino Guardian que seu país se reserva o direito de lançar um ataque preventivo contra os Estados Unidos."Os Estados Unidos dizem que, depois do Iraque, somos o próximo", teria dito ao jornal Ri Pyong Gap, "mas temos nossas próprias medidas defensivas. Ataques preventivos não são direito exclusivo dos EUA".Mísseis norte-coreanos podem alcançar a Coréia do Sul e o Japão, dois aliados asiáticos onde Washington mantém 100.000 soldados. Acredita-se que a Coréia do Norte também esteja desenvolvendo mísseis balísticos que podem alcançar o Havaí e partes da América do Norte.Oficiais americanos não estão certos se, com o último anúncio, a Coréia do Norte estaria tentando aproveitar a preocupação dos EUA com o Iraque para aumentar a pressão em relação a seu próprio impasse com Washington.O secretário de Defesa dos EUA, Donald H. Rumsfeld, advertiu que ao retomar seu programa nuclear Pyongyang poderia produzir armas nucleares para seu próprio uso ou vendê-las para um outro país."Isso é algo que o mundo tem de levar muito a sério", disse ele.O presidente dos EUA, George W. Bush, "mantém em aberto todas suas opções", afirmou sua assessora de Segurança Nacional, Condeleezza Rice. "Mas ele acredita que essa situação com a Coréia do Norte possa ser resolvida diplomaticamente".O conselho de governadores da AIEA, composta por 35 nações, irá se reunir na próxima quarta-feira a fim de discutir o impasse e provavelmente enviará a disputa para o Conselho de Segurança da ONU - que pode impor sanções econômicas contra Pyongyang.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.