Pyongyang ameaça Seul com ''guerra santa''

Coreia do Sul responde com demonstração de força e ampliação de exercícios militares

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2010 | 00h00

A tensão no Oriente aumentou ontem com a ameaça da Coreia do Norte de iniciar uma "guerra santa", com o uso de arsenal nuclear, contra a Coreia do Sul. O governo de Seul respondeu com a ampliação dos exercícios militares, em uma demonstração de sua capacidade de um "rápido e impiedoso contra-ataque".

O risco de novo conflito entre os dois países, desta vez na época da maior festa cristã do Ocidente, arrasta-se desde novembro quando, em retaliação a exercícios navais sul-coreanos no Mar Amarelo, a Coreia do Norte bombardeou a Ilha de Yeonpyeong. As duas Coreias, que travaram uma guerra entre 1950 e 1953, jamais assinaram um acordo de paz.

"Para responder à intenção do inimigo de forçar a situação para uma guerra, nossas forças revolucionárias estão fazendo os preparos para começar uma guerra santa em qualquer momento, necessariamente com base na dissuasão nuclear", afirmou o ministro das Forças Armadas da Coreia do Norte, Kim Yong-chun.

"Acreditamos que a paciência poderia assegurar a paz nesta terra. Mas esse não é o caso. Nossos militares têm de dar uma resposta rápida e impiedosa se sofrerem ataques de surpresa", declarou o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, durante visita uma unidade de vanguarda do Exército na região de fronteira.

Ontem, a Coreia do Sul promoveu um amplo exercício militar em Pocheon, nas proximidades da zona desmilitarizada - na verdade, uma faixa na fronteira altamente armada pelos dois lados. Também deu continuidade aos exercícios navais a apenas 100 quilômetros da fronteira, iniciados na segunda-feira. Esses treinos navais foram o argumento de Pyongyang para sua ameaça de "guerra santa". Politicamente, os exercícios permitem a Lee mostrar uma reação mais dura diante da opinião pública sul-coreana.

Os EUA indicaram ontem ver nessa troca de ameaças mais um blefe, por causa da conhecida tática de Pyongyang de provocar tensão e depois aliviar a crise. O porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, insistiu ser necessárias "ações construtivas, e não o aumento do calor da retórica" de Pyongyang. Conforme ressaltou, "a última coisa que a região precisa é mais ameaças retóricas". O presidente Barack Obama está em férias no Havaí.

Mas, na quarta-feira, o governador do Novo México, Bill Richardson, advertira sobre a possibilidade de os exercícios navais desatarem a violência entre as duas Coreias. "Essa situação ainda é uma caixa de explosivos. Há ainda enorme tensão e desconfiança. Acredito que a diplomacia é a saída." A China, por sua vez, avaliou o quadro como "altamente complicado e sensível" e pediu às duas partes que mantenham a calma.

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