Pyongyang anula cessar-fogo com Seul

Em resposta às novas sanções aprovadas na ONU, Coreia do Norte suspende todos os acordos de não agressão com a Coreia do Sul

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2013 | 02h36

Horas depois de o Conselho de Segurança da ONU aprovar novas sanções contra o país, a Coreia do Norte anunciou ontem que anularia todos os pactos de não agressão assinados com a Coreia do Sul e retiraria seus representantes da zona desmilitarizada de Panmunjom, principal local de comunicação entre os dois lados da península.

Na quinta-feira, Pyongyang havia ameaçado realizar "ataques nucleares preventivos" contra os Estados Unidos e contra a Coreia do Sul, em um retórica belicosa que ganhou intensidade desde o início da semana.

Seul também subiu o tom de suas declarações e disse que a Coreia do Norte vai "desaparecer da face da Terra" caso leve adiante a ameaça de agressões nucleares. No cargo há duas semanas, a presidente sul-coreana, Park Geun-hye, prometeu "responder duramente" a eventuais "provocações" do Norte.

"A atual situação de nossa segurança é muito grave", declarou a presidente durante uma cerimônia de formatura de cadetes em Seul. Park usava terno cáqui escuro semelhante a um uniforme militar.

Em votação unânime, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, na quinta-feira, novas sanções financeiras contra o regime de Pyongyang e tornou obrigatória a inspeção de cargas suspeitas destinadas ou originadas no país. A resolução é a quinta do gênero adotada contra a Coreia do Norte desde 2006, quando o país realizou o primeiro de seus três testes nucleares.

As sanções não impediram que o regime totalitário continuasse com seu programa atômico, que teve avanços importantes desde o ano passado. Em dezembro, o governo de Kim Jong-un conseguiu colocar um satélite em órbita com o uso de um foguete que tem tecnologia semelhante à utilizada em mísseis. No mês passado, ocorreu o terceiro teste nuclear, com a explosão de uma bomba mais leve, menor e mais potente que as detonadas em 2006 e 2009.

Ação militar. Analistas do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, dos EUA, consideram elevada a probabilidade de a Coreia do Norte realizar algum tipo de "provocação militar" em breve. Segundo a instituição, atos desse tipo ocorreram semanas depois das posses de todos os presidentes sul-coreanos desde 1992 - Park Geun-hye assumiu o cargo no dia 25 de fevereiro.

Jan Canrong, professor da Universidade do Povo, em Pequim, disse que a situação é preocupante e imprevisível. No entanto, ele ponderou que a Coreia do Norte não quer a guerra, apesar de sua retórica bélica, porque sabe que perderá um eventual conflito.

Segundo Jin, o principal objetivo do país é negociar diretamente com os americanos. "A real intenção é forçar os Estados Unidos a conversar. Esse é o principal ponto da estratégia da Coreia do Norte", disse ele ao Estado.

Professor do Centro de Estudos Coreanos da universidade chinesa Fudan, Cai Jian, não acredita que Pyongyang passará da retórica à ação. "A Coreia do Norte tenta há anos forçar a comunidade internacional a admitir seu status e garantir sua segurança por meio da assinatura de um tratado de paz", observou.

Armistício. A Guerra da Coreia terminou em 1953 com a assinatura de um armistício, que previa a negociação de um acordo de paz no prazo de três meses, algo que nunca ocorreu. Tecnicamente, o Norte continua em guerra com a Coreia do Sul e com os Estados Unidos, que têm 28 mil soldados estacionados abaixo do paralelo 38, que divide a península.

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