Pyongyang cogita novo teste nuclear se disputa continuar

A Coréia do Norte se sentirá compelida a anunciar um outro teste nuclear se uma disputa financeira com os Estados Unidos não for resolvida, disse uma fonte do governo na quarta-feira, em sinal da impaciência de Pyongyang com a falta de avanços nas negociações. Daniel Glaser, subsecretário-assistente do Tesouro dos EUA, retomou na terça-feira em Pequim suas reuniões com representantes norte-coreanos a respeito dos supostos crimes de falsificação de divisas pelos quais Washington acusa o regime comunista de Pyongyang. Glaser disse que o processo avança lentamente e que há um "marco estabelecido" para mais negociações. Ele afirmou ainda que o Serviço Secreto dos EUA apresentou aos norte-coreanos as supostas provas das irregularidades financeiras. Mas a fonte, muito ligada ao regime norte-coreano, disse que os EUA não têm provas concretas e que a Coréia do Norte deve manifestar sua irritação durante as negociações multilaterais sobre o seu programa nuclear, marcadas para o dia 8, também em Pequim. "Se os Estados Unidos não resolverem isso, a Coréia do Norte não terá escolha senão anunciar nas negociações a seis partes que planeja conduzir outro teste (nuclear)", disse a fonte à Reuters, sob anonimato, após receber informações de uma autoridades norte-coreana. A negociação multilateral reúne EUA, China, Rússia, Japão e as duas Coréias. A última sessão ocorreu em dezembro, dois meses depois do primeiro teste nuclear norte-coreano, e terminou sem avanços, em grande parte devido à insatisfação de Pyongyang com as sanções financeiras impostas pelos EUA. As sanções levaram ao congelamento de 24 milhões de dólares do regime em contas mantidas em Macau (China), cujo Banco Delta Ásia é acusado de ajudar a Coréia do Norte a lavar dinheiro oriundo do narcotráfico e da falsificação de dólares. Autoridades norte-americanas acham difícil que haja uma solução rápida para as negociações, e a Coréia do Sul alerta que não haverá avanços fáceis no processo. O jornal japonês Yomiuri Shimbun disse na quarta-feira que Kim Jong-nam, o filho mais velho de Kim Jong-il, o líder norte-coreano, está em Macau, segundo fontes diplomáticas em Hong Kong. Kim Jong-nam deve visitar também um banco em Hong Kong para explicar suas contas ali. Essa conta não está sujeita às restrições dos EUA, mas pode ter alguma ligação com as discussões, segundo o jornal.

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