Pyongyang diz que só pára programa se EUA tirarem sanções

Apesar de Coréia do Sul e Estados Unidos se mostrarem otimistas com os recentes rumos do acordo para colocar fim ao programa nuclear da Coréia do Norte, o país socialista não deu sinais de que desativará seu principal reator nuclear, por enquanto.Diferente do que havia sido estipulado em um acordo assinado em fevereiro, as autoridades norte-coreanas reiteraram que só iniciarão o desarmamento quando os EUA levantarem as sanções econômicas impostas unilateralmente ao regime de Pyongyang, disse nesta quarta-feira, 14, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei.Durante as conversas entre os seis países no mês passado, a Coréia do Norte se comprometeu a fechar o seu único reator nuclear em funcionamento no dia 14 de abril, em troca de ajuda na área de energia e concessões políticas.Em encontro marcado para esta quarta-feira, em Pyongyang, para discutir a aplicação do acordo de suspensão do enriquecimento de plutônio, apenas o principal negociador do país no diálogo nuclear, Kim Kye-gwan, não apareceu.Segundo um porta-voz da AIEA, estavam previstas duas reuniões com Kim. Mas ele tinha que preparar as próximas reuniões multilaterais de Pequim sobre o programa nuclear norte-coreano.ElBaradei se reuniu com Kim Hyong-jun, outro vice-ministro de Relações Exteriores norte-coreano.Resultados positivosMesmo com a ausência do principal negociador norte-coreano, ElBaradei definiu como "bastante útil" a reunião desta quarta. Segundo o dirigente, a Coréia do Norte está otimista em relação ao seu retorno à AIEA, disse. "É do interesse da Coréia do Norte normalizar as relações com a AIEA", afirmou. Desde 2002, quando o regime socialista iniciou o programa de enriquecimento de plutônio e expulsou os fiscais da AIEA, a entidade da ONU não mantém relações com o país. "Abrimos a porta para uma relação normal". Ele disse que o país permanece comprometido com o acordo de 13 de fevereiro alcançado em negociações entre seis países, que reúne as duas Coréias, a Rússia, o Japão, os Estados Unidos e a China. Washington defendeu que dentro de 30 dias a partir da data do acordo vai resolver uma disputa sobre as contas bancárias da Coréia do Norte congeladas em Macau, no sul da China, que os EUA dizem terem sido usadas para lavar ganhos ilegais de Pyongyang. A atual crise começou em outubro de 2002, quando os EUA acusaram a Coréia do Norte de reiniciar seu programa nuclear violando acordos bilaterais de 1994, e atingiu seu pior momentoem outubro de 2006, momento em que Pyongyang anunciou o êxito de seu primeiro teste de armamento nuclear. Reunião multilateralChegando a Pequim para uma nova rodada das negociações multilaterais, as quais começam na próxima segunda, o negociador norte-americano, Christopher Hill, disse que o fato de o encontro entre Kim e ElBaradei não ter sido realizado não é necessariamente um mau sinal. "Acho que ElBaradei teve várias reuniões técnicas, vamos saber melhor quando conversarmos com ElBaradei."O chanceler sul-coreano, Song Min-soon, disse nesta quarta-feira que ElBaradei, em Pequim, deverá conversar com os representantes dos seis países que participam das conversas (Estados Unidos, China, Rússia, Japão e as duas Coréias) para explicar o resultado de sua visita a Pyongyang."Eu acredito que os acordos serão implementados", disse o Ministro de Assuntos Exteriores, Song Min-soon, durante uma entrevista coletiva.A nova rodada de negociações segue a de 13 de fevereiro, quando Pyongyang concordou em desmantelar suas instalações nucleares em 60 dias e readmitir os inspetores da AIEA em troca de ajuda energética.O negociador sul-coreano, Chun Yung-woo, também aterrissou em Pequim e se mostrou otimista com o encontro iminente, já que espera "conseguir progressos" em meio ao "esforço" das partes envolvidas.Ambos, Hill e Chun, participarão antes de três dos cinco gruposde trabalho estabelecidos em 13 de fevereiro para avançar de forma paralela ao diálogo multilateral, informou a agência oficialchinesa Xinhua. Os grupos relativos à normalização das relações diplomáticas de Pyongyang com Washington e Tóquio já tiveram seu primeiro encontro em Nova York e Hanói, no Vietnã, respectivamente, enquanto aqueles que abordam assuntos energéticos, econômicos e de segurança regional, o farão a partir da quinta, em Pequim. Com Reuters e Efe

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