Pyongyang encerra luto com 'posse' de ditador

Proclamação de Kim Jong-un como 'novo líder supremo' da Coreia do Norte foi o último ato de cerimônias em homenagem ao pai dele, morto no dia 17

PYONGYANG, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2011 | 03h06

As cerimônias fúnebres em homenagem ao ditador norte-coreano Kim Jong-il, morto no dia 17, encerraram-se ontem com a proclamação de um de seus filhos, Kim Jong-un, como o novo "líder supremo" da Coreia do Norte. A tomada de poder de Kim Jong-un foi testemunhada por milhares de pessoas na praça de Pyongyang que leva o nome do avô do novo ditador - Kim Il-sung.

"Kim Jong-un é o líder supremo de nosso partido, do Exército e do povo por personificar as ideias e a liderança, a personalidade, as virtudes, a coragem e o valor de Kim Jong-il", disse em seu discurso Kim Yong-nam, líder da Assembleia Popular Suprema, sobre o enigmático jovem que vai liderar o país.

A TV estatal KCNA mostrou insistentemente imagens de Kim Jong-un durante o ato, causando a expectativa por alguns momentos de que o novo líder, que tem menos de 30 anos, poderia pronunciar um discurso que traçasse seus planos para governar um país isolado, imprevisível e com capacidade nuclear.

No entanto, ele se manteve em silêncio da mesma forma que seu pai fizera durante a cerimônia fúnebre de 20 de julho de 1994, em homenagem a Kim Il-sung. Naquela ocasião, também foi Kim Yong-nam, então vice-premiê do regime, que conduziu a proclamação.

"Construiremos uma próspera nação socialista, mantendo em alta estima Kim Jong-un como novo general e líder supremo", disse ontem o octogenário Kim Yong-nam. Seu discurso deu indícios de que o governo de Kim Jong-un deve seguir a mesma linha do do pai. Considerado o "número dois" do regime, Kim Yong-nam assegurou que "sob a liderança de Kim Jong-un, a Coreia do Norte avançará de forma mais dinâmica no caminho do 'songun'", referindo-se à política desenhada e aplicada por Kim Jong-il que consiste em dar prioridade aos assuntos militares no conjunto do Estado.

Por seu lado, o general Kim Jong-gak, considerado uma das figuras emergentes nas elites militares do país comunista, pareceu pôr fim às dúvidas sobre a possível falta de apoio das Forças Armadas ao sucessor, que não tem formação militar.

Nesse sentido, o general, de 70 anos, garantiu que os soldados do Exército Popular da Coreia do Norte "protegerão Kim Jon-un com suas próprias vidas". As Forças Armadas norte-coreanas, que somam mais de 1,1 milhão de soldados em uma população total de 24 milhões de pessoas e dominam ao redor de um quarto do PIB do país, são o principal fiador do poder do regime de corte stalinista governado pela dinastia Kim.

A cerimônia foi concluída com uma salva de tiros e a observação de três minutos de silêncio em homenagem a Kim Jong-il, que morreu aos 63 anos - oficialmente de ataque cardíaco - após governar o país com mão de ferro por 17 anos. Durante esse período, os norte-coreanos desenvolveram seu programa nuclear e enfrentaram uma das piores ondas de fome das últimas décadas no planeta. / AP e REUTERS

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