Pyongyang fecha fronteira e impede retorno de sul-coreanos

Saída de trabalhadores de complexo industrial dos dois países é impedida; tensão aumenta na península coreana

Agências internacionais,

13 de março de 2009 | 07h52

 A Coreia do Norte voltou a fechar nesta sexta-feira, 13, os pontos de passagem da fronteira terrestre com o Sul, e proibiu a saída de cidadãos sul-coreanos que trabalham no complexo industrial de Kaesong, conforme informou a agência de notícias local Yonhap. A tensão na fronteira aumentou após a Coreia do Norte anunciar, há duas semanas, que estava preparando o lançamento de um satélite.

 

O regime comunista já havia fechado na última segunda-feira a fronteira para reabri-la no dia seguinte, em protesto contra as manobras militares conjuntas dos Exércitos de Estados Unidos e Coreia do Sul. Na ocasião, Pyongyang qualificou os exercícios militares como o prelúdio de "uma segunda Guerra da Coreia". A ligação entre as duas Coreias pode permanecer fechada até a próxima sexta-feira, data em que as manobras terminam, informou a Yonhap.

 

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, disse que Pyongyang deve parar com as ameaças a civis, depois que 275 pessoas que deviam retornar à Coreia do Sul procedentes do complexo industrial que ambos os países administram, o conseguissem fazer hoje. Do mesmo modo, Pyongyang negou a entrada programada de outros 600 sul-coreanos ao complexo industrial conjunto de Kaesong.

 

Cerca de 90 empresas sul-coreanas operam neste complexo industrial, símbolo da cooperação intercoreana, que reduziu suas operações devido às contínuas restrições norte-coreanas em protesto contra a política do governo conservador de Seul. "A Coreia do Norte está nos ameaçando em todas as áreas, incluindo por terra, ar e mar", assegurou o presidente sul-coreano

 

Na segunda-feira, a Coreia do Norte cortou todos os canais de comunicação militar com o Sul e as passagens fronteiriças. Após a reabertura da fronteira na terça, as duas Coreias coordenaram a passagem de trabalhadores às zonas conjuntas de Kaesong e do monte Kumgang através de cartas, já que a rede de integração militar continuava suspensa. Lee pediu reciprocidade a Pyongyang e lembrou que seu governo garante a segurança dos navios comerciais que navegam ao longo da costa oeste sul-coreana até as águas do Norte.

 

Lançamento polêmico

 

Funcionários dos governos da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e do Japão suspeitam que a Coreia do Norte utilize o lançamento como um disfarce para o teste de um míssil balístico com alcance suficiente para atingir o Alasca e exigem que o país comunista abandone o plano. A Coreia do Norte forneceu à Organização de Aviação Civil Internacional, à Organização Marítima Internacional e a outras entidades mundiais "a informação necessária para proteger o tráfego de aviões e barcos", como parte dos preparativos para o lançamento de "um satélite de comunicações experimental", informou por sua vez a agência estatal de notícias da Coreia do Norte.

 

Um teste de míssil violaria duas resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovadas em 2006 para penalizar a Coreia do Norte pelo lançamento experimental de um projétil de longo alcance. Pyongyang assegura que o foguete transportará um satélite de comunicações até o espaço e insiste ter o direito de realizar o lançamento.

 

Analistas militares de Coreia do Sul, EUA e Japão perceberam no fim de janeiro, a partir de informações obtidas por satélites de espionagem, que havia preparativos em andamento na principal base de lançamento norte-coreana, situada numa remota região de montanha no nordeste do país. Desde então, a Coreia do Norte tem sido alvo de pressão para que não promova o disparo. Oficiais de alto escalão das Forças Armadas de Japão e EUA chegaram a dizer nos últimos dias que estão prontos para abater o foguete caso recebam tais ordens.

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