Pyongyang mantém plano para lançar foguete

EUA dizem que medida pode levar ao cancelamento de acordo nuclear feito com a Coreia do Norte

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2012 | 03h07

A Coreia do Norte reiterou ontem sua intenção de lançar um satélite no próximo mês, apesar da ameaça dos Estados Unidos de suspender o acordo de ajuda alimentar firmado entre os dois países no fim de fevereiro. Os americanos veem o lançamento como um pretexto para teste da tecnologia de mísseis de longo alcance, aos quais podem ser acoplados armas nucleares.

Em nota da chancelaria, o governo de Pyongyang afirmou que já deu início aos preparativos para a colocação em órbita do satélite de observação terrestre Kwangmyongsong-3. Previsto para o período de 12 a 16 de abril, o evento faz parte das celebrações do centenário de nascimento do fundador do país, Kim Il-sung, em 15 de abril.

Segundo os norte-coreanos, o lançamento representa o exercício do direito de exploração pacífica do espaço garantido pela legislação internacional e não contraria o compromisso de suspensão de testes nucleares assumido no acordo fechado com os Estados Unidos.

O novo embaixador do Brasil em Pyongyang, Roberto Colin, ressaltou o tom conciliador da nota, da qual está ausente a retórica belicosa normalmente adotada quando há confrontação com o mundo exterior.

Em sua opinião, o lançamento do satélite é importante para o público interno e faz parte do processo de legitimação do novo líder, Kim Jong-un, que assumiu o poder depois da morte de seu pai, Kim Jong-il, em dezembro.

Para os americanos, o lançamento do foguete desrespeita o compromisso de suspensão de testes nucleares assumido por Pyongyang em troca da promessa de entrega de 400 mil toneladas de ajuda alimentar.

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