Pyongyang mascara teste de míssil com programa espacial, dizem EUA

Com anúncio de lançamento de satélite, Coreia do Norte estaria interessada em testar arma capaz de atingir o Alasca

Choe Sang-hun, O Estadao de S.Paulo

25 de fevereiro de 2009 | 00h00

A Coreia do Norte anunciou ontem que está pronta para lançar um satélite de comunicações - o que funcionários dos governos americano e sul-coreano acreditam ser uma camuflagem para a realização de um provocativo teste de um míssil de longo alcance capaz de atingir partes da América do Norte. O anúncio foi feito poucos dias depois de a secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, e o ministro sul-coreano do Exterior, Yu Myung-hwan, insistirem para que a Coreia do Norte não realizasse o teste, qualificando tal medida de "péssima contribuição" e "provocação". Durante sua viagem a Seul, na semana passada, Hillary classificou o regime norte-coreano como "tirania", mas ofereceu auxílio econômico e a possibilidade de normalização das relações entre os dois países se o país abandonasse seu programa de desenvolvimento de armamento nuclear. Esperava-se uma resposta da Coreia do Norte ao aceno, até que o anúncio do lançamento foi feito ontem."Os preparativos para o lançamento do satélite experimental de comunicações Kwangmyongsong-2 por meio do foguete Unha-2 estão agora avançando rapidamente", disse o Comitê de Tecnologia Espacial da Coreia do Norte num pronunciamento divulgado pela agência de notícias oficial, a KCNA. CONFIRMAÇÃO DE ATIVIDADESA declaração marca a primeira vez que a Coreia do Norte confirma suas atividades numa base de lançamento de mísseis em Musudan-ri, na costa leste do país. Não ficou especificado quando o teste será feito, mas trata-se do sinal mais claro da iminência da sua realização. Nas últimas semanas, a Coreia do Norte declarou ter o direito de lançar um satélite científico, um pretexto, segundo analistas sul-coreanos, adotado pelo norte para evitar sanções da ONU e de potenciais tentativas americanas de abater seus mísseis. "É absurdo, quase cômico, pensar que a Coreia do Norte, um país incapaz de alimentar a própria população, afirme estar desenvolvendo um programa espacial", disse Kim Tae-woo, um destacado analista do Instituto Coreano de Análise Defensiva, financiado pelo governo. "Acho que o lançamento de um míssil é iminente, com todos os preparativos já concluídos." Um míssil balístico de longo alcance transportando uma ogiva e um foguete transportando um satélite são tão parecidos que, segundo os especialistas, é difícil distingui-los.As autoridades espaciais americanas tentaram, mas não foram capazes de encontrar um novo satélite na órbita da Terra depois que a Coreia do Norte alegou ter lançado o seu Kwangmyongsong-1 em 1998. Funcionários dos governos ocidentais acreditam que o país na verdade estava testando seu míssil Taepodong-1.CONFIRMAÇÃO NO CARGONa época, a mídia norte-coreana elogiou Kim Jong-il, que tinha acabado de ser confirmado no posto de líder supremo do país, qualificando-o de pioneiro no "desenvolvimento do programa espacial" nacional, e disse que o satélite estava transmitindo canções revolucionárias comunistas para a Terra. Kim deve ser confirmado novamente como líder do país pelo previsível Parlamento norte-coreano no dia 8. Analistas em Seul citaram o período próximo à reeleição de Kim como possível janela para o lançamento do míssil norte-coreano. Nas últimas semanas, funcionários do governo e especialistas na região demonstraram temor em relação ao disparo, por parte da Coreia do Norte, do seu Taepodong-2, o mais avançado míssil norte-coreano, de múltiplos estágios, com alcance de 6.750 quilômetros e capaz de atingir o Alasca. Há décadas o país tenta construir armas nucleares e mísseis capazes de transportá-las ao alvo, de acordo com funcionários do governo americano. Depois que Pyongyanfg realizou seu primeiro teste nuclear em 2006, o Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução exigindo que o país cessasse todas as suas atividades relacionadas ao desenvolvimento de mísseis. A Coreia do Norte frequentemente faz uso de ameaças militares para obter concessões. O porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood, disse ontem que "intimidação e ameaças não ajudarão a construir a estabilidade regional".

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