Pyongyang não cumprirá prazo de desnuclearização, diz Seul

O governo sul-coreano afirmou nesta sexta-feira que não acredita que a Coréia do Norte cumprirá o prazo fixado há dois meses para o fechamento de seu principal reator nuclear. O ministro de Exteriores sul-coreano, Song Min-soon, considerou "difícil esperar que será cumprido" neste sábado, 14, o prazo fixado pelo acordo de 13 de fevereiro, em Pequim, por negociadores de seis países (as duas Coréias, China, Rússia, EUA e Japão), informou a agência sul-coreana Yonhap. No entanto, Song, como já fez em várias ocasiões durante esta semana, assegurou que o importante é seguir adiante com a desnuclearização da Coréia do Norte. "Como todas as partes têm intenção de seguir adiante com o acordo, é importante não se fixar na data, mas seguir com as medidas estipuladas de forma estável", apontou o chefe da diplomacia sul-coreana. A aplicação do acordo de Pequim foi atrasada por causa dos US$ 25 milhões depositados em contas norte-coreanas no Banco Delta Asia (BDA), em Macau, que demoraram para ser descongelados por causa de "problemas técnicos". O desbloqueio deste dinheiro foi a condição exigida pela Coréia do Norte para iniciar sua desnuclearização. Em um acordo firmado em 13 de fevereiro, Pyongyang se comprometeu a fechar em 60 dias seu reator nuclear de Yongbyon em troca de ajudas energéticas internacionais. Mais esforços Também nesta sexta-feira, o governo chinês exigiu maiores esforços para resolver o problema das contas norte-coreanas congeladas em Macau. "A China tomou nota das recentes declarações realizadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e pela região administrativa especial de Macau", assinala nesta sexta-feira a Chancelaria chinesa em comunicado em sua página de internet. "Esperamos que isto leve a uma solução para resolver os principais problemas", assinala o porta-voz de Exteriores, Qin Gang. Tanto as autoridades de Macau como do Tesouro assinalaram na quarta-feira que os US$ 25 milhões congelados em 50 contas norte-coreanas nos últimos 19 meses tinham sido liberados para que seus proprietários as recuperassem, condição exigida por Pyongyang para iniciar seu desarmamento nuclear. Washington acusou Pyongyang em 2005 de ter utilizado estas contas para lavagem de dinheiro e venda de armas não convencionais, o que não foi confirmado depois de 19 meses de investigação. Na quinta-feira, 12, o principal negociador americano nesta crise, Christopher Hill, pressionou a Coréia do Norte para que feche neste sábado seu principal reator, em Yongbyon, como se comprometeu no acordo de 13 de fevereiro, em troca de receber ajuda energética. Embora a liberação das contas não esteja mencionada neste acordo assinado pelas duas Coréias, EUA, Rússia, Japão e China, Pyongyang, que realizou seu primeiro teste nuclear em 9 de outubro, exigiu recuperar o dinheiro para começar a fechar Yongbyon. Depois de os Estados Unidos passarem o problema para a China, há algumas semanas, deixando em suas mãos a transferência do dinheiro à Coréia do Norte através do Bank of China, parece que o problema agora é a identificação dos proprietários das contas, segundo informou na quinta-feira o jornal sul-coreano Chosun Ilbo. A publicação indicou que 20 funcionários norte-coreanos se encontram em Macau tentando retirar o dinheiro, embora pelo menos 10 das 50 contas congeladas tenham problemas de identificação. O governo norte-coreano assinalou esta semana que estava disposto a permitir o retorno dos inspetores da ONU nesta sexta-feira mesmo, um dia antes da data para o desarmamento, mas desde que recuperasse seus fundos.

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