Pyongyang pode enfrentar mais do que condenação, dizem EUA

Comunidade internacional teme que lançamento de suposto satélite norte-coreano seria míssil intercontinental

Agências internacionais,

26 de março de 2009 | 14h52

A Coreia do Norte corre o risco de enfrentar condenação internacional ou "pior" se seguir com seus planos de um lançamento espacial que os Estados Unidos suspeitam ocultar um programa de mísseis balísticos, disse o diretor de Inteligência Nacional dos EUA, Dennis Blair, nesta quinta-feira, 26. Blair também afirmou a repórteres que o líder norte-coreano, Kim Jong-Il, segue com o controle total do país após se recuperar de um suposto derrame no ano passado e seria irreal esperar que qualquer outra pessoa do país assuma o poder.

 

O Departamento de Estado americano informou ainda que enviados do Japão, Coreia do Sul e EUA vão se reunir em Washington para consultas sobre a Coreia do Norte, que está com um míssil de longo alcance posicionado para o lançamento. O porta-voz do Departamento de Estado Gordon Duguid disse que ainda não foi finalizada a programação das reuniões, mas que deve haver conversas entre Estados Unidos e os representantes dos outros dois países, separadamente, e também um diálogo informal entre os três.

 

O diretor de Inteligência Nacional afirmou ainda que a Coreia do Norte quer mostrar sua capacidade de disparar mísseis intercontinentais com o suposto lançamento espacial que está preparando. Os norte-coreanos posicionaram na quarta-feira em uma plataforma de lançamento um foguete que, segundo o governo, colocará o satélite de comunicação em órbita. A comunidade internacional desconfia que Pyongyang testará um míssil de longo alcance, o Taepodong-2, capaz de atingir o Estado do Alasca, violando as sanções da ONU.

 

O foguete foi instalado na cidade de Musudan-ri (leste), onde Pyongyang testou mísseis em 2006, segundo a agência japonesa Kyodo. Há duas semanas, o governo anunciou que o lançamento ocorrerá entre os dias 4 e 8. Analistas dizem que a Coreia do Norte levaria de sete a dez dias para fazer o lançamento, assim que o foguete fosse colocado na plataforma. Coreia do Sul, EUA e Japão propõem ampliar as sanções contra Pyongyang e disseram que não há diferença entre o lançamento de um satélite e de um míssil, pois ambos usam a mesma tecnologia de propulsão.

 

Pyongyang afirmou nesta quinta que adotará "duras medidas" caso o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) condene o lançamento de foguete que o país asiático pretende promover nos próximos dias. O país ameaçou reativar seu reator de plutônio de Yongbyon se a ONU aplicar novas sanções e reivindicou seu direito de desenvolver um programa espacial. "A partir do momento em que o acordo de 19 de setembro é ignorado por esse tipo de iniciativa, as negociações com os seis países (sobre o programa nuclear norte-coreano) serão encerradas, assim como todo o processo de desmantelamento nuclear norte-coreano", afirmou o Ministério de Relações Exteriores em nota divulgada pela agência estatal KCNA.

 

A Marinha americana enviou dois navios de guerra equipados com sistema antimísseis para a região do Japão, após recentes manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul. Próximo do local também está outro navio japonês, de características similares. A Coreia do Sul prepara-se para enviar uma embarcação de guerra equipada com um sistema antimísseis ao Mar do Leste, de modo a vigiar as atividades do foguete norte-coreano.

 

O Japão ameaçou com mais sanções, além das que poderiam ser impostas pelo Conselho de Segurança, e espera-se que aprove ainda nesta sexta-feira uma lei que lhe permitirá destruir os restos do foguete norte-coreano caso cheguem a cair em seu território. A trajetória do foguete, segundo revelou a própria Coreia do Norte aos organismos internacionais encarregados da segurança marítima e aérea, cruzará o Mar do Leste (Mar do Japão) e parte do Pacífico, caso realmente seja bem-sucedida. Segundo especialistas dos EUA, em 2006, Pyongyang fez um teste fracassado com um Taepodong-2, que explodiu a poucos minutos de decolar e, em 1998, ocultou um teste de míssil alegando ser um lançamento de satélite de telecomunicações.

Tudo o que sabemos sobre:
Coreia do NorteEUACoreia do Sul

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.