Pyongyang quer reabrir complexo de Kaesong

Fechadas desde abril, fábricas são operadas em conjunto com a rival Coreia do Sul

SEUL, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2013 | 02h12

A Coreia do Norte anunciou ontem a reabertura do complexo industrial de Kaesong, operado em conjunto com a Coreia do Sul, pouco tempo depois de Seul sinalizar a intenção de desativar o complexo permanentemente.

O norte-coreano Comitê para a Reunificação Pacífica da Coreia propôs negociações com o governo de Seul para normalizar o projeto de cooperação e disse que a segurança dos sul-coreanos nas instalações será garantida.

Com um tom excepcionalmente conciliador, o comitê afirmou, em nota divulgada pela agencia de notícias oficial norte-coreana KCNA, que seu objetivo é "promover uma nova fase de reconciliação, cooperação, paz, reunificação e prosperidade, ao normalizar a operação na zona de Kaesong".

A declaração circulou cerca de uma hora e meia depois de a Coreia do Sul ter anunciado medidas para indenizar os prejuízos de empresas que operavam em Kaesong antes do fechamento do complexo industrial - em abril, quando Pyongyang retirou seus 53 mil funcionários do local - o que foi visto amplamente como um passo no sentido de desativar definitivamente um projeto que é visto como o último símbolo de cooperação entre os países rivais.

Kaesong é uma das poucas fontes de divisas internacionais para o regime norte-coreano. As duas Coreias ainda estão tecnicamente em guerra, pois seu conflito, de 1950 a 1953, terminou apenas com uma trégua, não com um tratado de paz.

A decisão de acionar um fundo securitário governamental para indenizar 109 pequenas e médias empresas sul-coreanas presentes em Kaesong surgiu após dez dias de silêncio norte-coreano a respeito de uma "oferta final" de Seul para reabrir o parque industrial.

Seul elogiou a mudança de posição da Coreia do Norte e aceitou a proposta para uma negociação no dia 14, em Kaesong, que fica no território norte-coreano, a poucos quilômetros da fronteira com o Sul. "Esperamos que uma solução racional seja encontrada para a normalização da zona industrial de Kaesong", disse um porta-voz do Ministério da Unificação.

Não ficou claro se realmente Seul tinha a intenção de desativar o projeto, o que representaria um duro golpe nas relações bilaterais. No entanto, desde o início da crise, o Sul nunca havia falado tão duramente.

No dia 28, o governo sul-coreano já havia oferecido uma compensação de US$ 7,3 milhões em ajuda humanitária ao Norte para persuadir seu líder, Kim Jong-un, a reabrir o parque industrial.

Crise. Em abril, além de fechar o complexo retirando todos os seus operários da região, Pyongyang proibiu a entrada de matérias-primas vindas do Sul, no auge da tensão nuclear na Península Coreana. A decisão foi tomada durante a onda de ameaças feitas por Kim contra alvos americanos.

Pyongyang chegou a ameaçar lançar mísseis contra bases militares americanas na Ásia e até contra a Costa Oeste dos EUA, como reação a um exercício militar conjunto realizado anualmente por americanos e sul-coreanos nas águas da região.

O endurecimento da retórica custou ao regime de Pyongyang um isolamento ainda maior, a imposição de novas sanções e advertências vindas até mesmo de sua única aliada, a China.

Pequim pediu que o governo norte-coreano voltasse a negociar e enviou mensagens a Seul apoiando os esforços de reunificação e desnuclearização da península. O vice-presidente chinês, Li Yuanchao, visitou a Coreia do Norte em julho e pediu para que Kim fizesse esforços para retomar o diálogo.

O fechamento de Kaesong também acarretou um aumento na pressão econômica interna da já empobrecida Coreia do Norte. A operação conjunta do complexo rendia cerca de US$ 80 milhões aos 53 mil empregados norte-coreanos que trabalham nas fábricas.

Apoio dos EUA. O governo dos EUA elogiou a iniciativa de retomada do diálogo entre os países rivais. A porta-voz do Departamento de Estado americano, Jen Psaki, disse que Washington "apoia a melhora das relações entre as Coreias".

Uma primeira tentativa de diálogo sobre a recente crise, programada para acontecer em junho, fracassou por discordâncias sobre detalhes de protocolo entre os dois países. / REUTERS e AP

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