Pyongyang se prepara para lançar míssil de longo alcance, dizem EUA

Para fontes do Pentágono, fotos de satélite indicam que Coreia do Norte pretende testar versão do Taepodong

Reuters, AP, AFP e NYT, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Fontes do Pentágono revelaram ontem que fotos recentes de satélite mostraram um movimento suspeito de veículos em dois locais de lançamento de mísseis da Coreia do Norte. Segundo funcionários do governo dos EUA, isso significa que os norte-coreanos podem estar se preparando para lançar um míssil de longo alcance. a href=''http://www.estadao.com.br/especiais/a-ameaca-nuclear-da-coreia-do-norte,59015.htm'' target=_blank>Veja linha do tempo multimídia da escala da tensão com PyongyangO movimento é similar ao que ocorreu durante os trabalhos prévios ao lançamento, no mês passado, de um míssil Taepodong-2, capaz de atingir o Alasca. Sem fornecer detalhes, os americanos lembraram que os EUA estão monitorando de perto as bases de mísseis norte-coreanas, assim como outras instalações militares.A agência de notícias sul-coreana Yonhap informou que na manhã de ontem a Coreia do Norte realizou mais um lançamento de um míssil de curto alcance na base de Musudan-ri, costa leste do país. Esses foguetes teriam, de acordo com analistas militares, um alcance máximo de 130 quilômetros. Foi o sétimo lançamento de um míssil de curto alcance desde o segundo teste nuclear norte-coreano, na segunda-feira. A tensão entre as duas Coreias aumentou ainda mais ontem, quando Pyongyang afirmou que agirá em "legítima defesa", caso o Conselho de Segurança da ONU aprove novas sanções contra o país. Em Nova York, EUA e Japão apresentaram uma proposta de resolução aos membros do conselho, condenando o teste nuclear e exigindo um rígido cumprimento das sanções adotadas após o primeiro teste, em 2006.Um esboço de uma nova resolução que amplia essas sanções já circula entre os principais membros do Conselho de Segurança. "Os membros do conselho condenam, nos termos mais fortes, o teste nuclear conduzido pela Coreia do Norte em flagrante violação e desrespeito às suas relevantes resoluções e pedem que todos os Estados-membros cumpram imediatamente as medidas impostas pela Resolução 1.718", diz o rascunho do texto obtido pela Reuters na quinta-feira.Em resposta, o governo norte-coreano subiu o tom das ameaças. "Se o Conselho de Segurança da ONU nos provocar, novas medidas de legítima defesa serão inevitáveis", anunciou o ministério norte-coreano das Relações Exteriores em comunicado divulgado pela agência oficial KCNA. "O mundo verá em breve como nosso Exército e nosso povo se erguerão diante da opressão e do despotismo do Conselho de Segurança e farão respeitar sua dignidade e sua independência."Pak Ui-chun, chanceler da Coreia do Norte, foi ainda mais explícito. "Nossa paciência tem limite. O teste nuclear que conduzimos foi o de número 2.054 realizado na Terra, dos quais 99,99% foram feitos pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU", disse.ATAQUEFuncionários do governo da Coreia do Sul declararam ontem que o país trabalha com a hipótese de um ataque naval na costa oeste da Península Coreana, em uma área de fronteira marítima que é reivindicada pelos dois países. A suspeita foi levantada depois que dezenas de barcos pesqueiros chineses foram vistos deixando a região.Não está claro, no entanto, se os barcos saíram sob ordens da Coreia do Norte ou pelo temor de um possível confronto entre as duas Coreias."Nossas forças estão assistindo a esses movimentos (de barcos pesqueiros chineses) que indicam a possibilidade de agressão da Coreia do Norte", disse um porta-voz do Ministério de Defesa sul-coreano. Entre 1999 e 2002, a região foi palco de graves confrontos navais no mês de junho, auge da temporada de pesca do caranguejo. Nessa época, barcos dos dois países - e da China - procuram os lugares mais produtivos dentro de águas disputadas pelas duas Coreias.

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