Pyongyang tenta enriquecer urânio, diz Coreia do Sul

Ministério da Defesa coreano se baseia nos dois testes nucleares com o material nos útlimos meses

Reuters

30 de junho de 2009 | 09h17

A Coreia do Norte parece estar enriquecendo urânio, potencialmente levando o país, que por duas vezes testou artefatos nucleares baseados em plutônio, a superar mais uma etapa para produzir armas atômicas, informou o ministro da Defesa da Coreia do Sul nesta terça-feira, 30.

 

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"É claro que eles estão indo adiante com isto", disse Lee Sang-hee, ministro da Defesa, em uma audiência parlamentar, acrescentando que tal programa era muito mais fácil de esconder do que as atuais atividades com plutônio promovidas pelo país vizinho.

A Coreia do Norte no início deste mês respondeu à punição da Organização das Nações Unidas por seu mais recente teste nuclear em maio, dizendo que o país começaria a enriquecer urânio para um reator de água leve.

Especialistas dizem que faltam tecnologia e recursos para a empobrecida Coreia do Norte construir um reator de alto custo civil, mas que talvez possa usar o programa como um disfarce para enriquecer urânio para uso bélico.

A Coreia do Norte, que possui amplo abastecimento de urânio natural, seria capaz de conduzir um programa de enriquecimento às escondidas e longe dos olhos dos satélites espiões dos Estados Unidos.

O programa de plutônio da Coreia do Norte utiliza um reator envelhecido e é centrado na planta nuclear Yongbyon, do período soviético, que tem sido observado pelo reconhecimento aéreo norte-americano por anos.

Dúvida dos especialistas

Especialistas dizem que a Coreia do Norte tem adquirido equipamento necessário para o enriquecimento de urânio, incluindo centrífugas e tubos de alumínio altamente resistentes, mas eles duvidam que Pyongyang realmente adote o projeto.

"Parece improvável que a Coreia do Norte tenha êxito em estabelecer uma sólida capacidade de enriquecimento... no curto prazo", escreveu o especialista nuclear Hui Zhang em um artigo neste mês ao Boletim dos Cientistas Atômicos, acrescentando que a ajuda externa de aliados de Pyongyang, como o Irã, poderá acelerar o processo.

Uma acusação dos Estados Unidos de que Pyongyang estava operando clandestinamente um plano de enriquecimento de urânio levou a um colapso do acordo de desarmamento de 1994 e ao início das discussões nucleares entre seis partes, em 2003. Tais discussões estão agora paralisadas.

Autoridades da Coreia do Sul dizem que as recentes ações militares da Coreia do Norte, que também incluem testes de mísseis e ameaças em atacar o Sul, visam provavelmente angariar apoio interno ao líder Kim Jong-il, de 67 anos, enquanto ele prepara o terreno para seu filho mais novo tomar a frente da única dinastia comunista da Ásia.

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