Pyongyang tenta reorganizar poder com expurgo militar

Há poucos dados disponíveis sobre o homem apontado por Kim para substituir chefe das Forças Armadas

CHOE SANG-HUN , THE NEW YORK TIMES / SEUL, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2012 | 03h05

A promoção de um general pouco conhecido à patente de vice-marechal foi uma decisão vista como uma tentativa do novo líder norte-coreano, Kim Jong-un, de domar os militares, reorganizar a elite do poder do regime e consolidar sua autoridade.

A ascensão de Hyon Yong-chol foi anunciada no principal órgão do partido e ocorreu após a destituição do vice-marechal Ri Yong-ho, então comandante-chefe do Estado-Maior norte-coreano e um dos membros da cúpula do Partido dos Trabalhadores, que governa o país. A causa oficial de sua saída foi um problema de saúde.

Funcionários sul-coreanos não dispõem de dados elementares sobre Hyon, como sua cidade natal ou idade. Mas, na Coreia do Norte, essa falta de informações é menos importante do que em qualquer outro país. No país, o poder de um funcionário é determinado não tanto por sua patente, título ou formação, mas pela frequência com a qual é visto ao lado do líder máximo.

Os analistas especulam que a destituição de Ri e a nomeação de seu sucessor podem representar o início de um expurgo político, exigido por Kim para consolidar o seu poder, ou uma resposta a um suposto desafio à sua autoridade.

Os analistas dispõem de poucos dados para avançar em suas especulações. No entanto, ontem eles preferiram concentrar-se nas recentes indicações da Coreia do Norte, incluindo o primeiro discurso público pronunciado por Kim em abril, no qual ele, aparentemente, enfatizou a necessidade do partido de retomar o controle dos militares.

Consolidação. "O que está havendo é um jogo de poder e é evidente que o partido ganhou o primeiro round contra os generais", disse Chang Yong-seok, pesquisador do Instituto para os Estudos sobre a Paz e da Unificação na Universidade Nacional de Seul. "O que vemos não é apenas uma reformulação dos cargos militares, mas a continuação da reorganização da elite do poder."

O pai de Kim, Kim Jong-il, teve um derrame, em 2008, e designou seu terceiro filho como sucessor, em 2010. Desde então, houve uma série de mudanças nas Forças Armadas e no partido com a finalidade de ajudar o filho a consolidar o poder. Kim-pai designou Ri para ajudar o filho a assumir o controle das Forças Armadas, que se tornaram a instituição mais influente do país graças à política de Kim Jong-il, para quem os militares estavam em primeiro lugar.

Após a morte do pai, em dezembro, Kim e seus mentores trataram de moderar os militares que exerciam um poder excessivo, de acordo com analistas. Desde então, membros do alto escalão do partido, como Jang Song-thaek, o tio de Kim, assumiram postos-chave nas Forças Armadas.

Um dos principais desafios para Kim foi conseguir conter os militares possivelmente descontentes com a intrusão de representantes do partido em sua hierarquia e usar as rivalidades institucionais entre o partido e o Exército para consolidar seu poder, como fez seu pai e seu avô, fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung. Segundo analistas, as mudanças na cúpula podem estar por trás de uma intensa luta pelo poder.

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