Quadrilha que prostituía brasileiras é presa na Espanha

Mulheres eram exploradas e vendidas a criminosos em outros países europeus; Polícia Federal foi contatada

Anelise Infante, BBC

17 de março de 2009 | 09h42

A polícia espanhola prendeu nesta terça-feira, 17, na Catalunha 15 albaneses suspeitos de integrar uma quadrilha que comprava mulheres no Brasil. As mulheres eram prostituídas e revendidas a prostíbulos de outros países europeus.

 

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Fontes ligadas à operação "Troia" informaram que a quadrilha operava nas cidades de Vendrell e Calafell (próximas a Barcelona), e trabalhava em conjunto com máfias internacionais de tráfico de mulheres, que buscavam as vítimas em diversas cidades brasileiras. O Ministério do Interior da Espanha contatou a Polícia Federal do Brasil para o prosseguimento das investigações.

Uma fonte policial disse à BBC Brasil que o esquema funcionava de "uma maneira violenta e cruel" e que as mulheres eram "tratadas como animais". "Eles nunca viajavam para o Brasil. Encomendavam o número de mulheres que queriam, às vezes até escolhendo as características físicas e idade, e negociavam com traficantes brasileiros".

Segundo a polícia, os traficantes de mulheres tinham um sistema para evitar que as prostitutas fugissem ou denunciassem a exploração aos clientes: ameaçavam agredir ou matar as famílias no Brasil. "Aqui, elas eram obrigadas a exercer a prostituição sob ameaça, surras e vigilância absoluta. A cada três ou quatro meses algumas eram vendidas a outros cafetões. Era como uma cadeia de mercadorias que vão sendo repassadas", disse o policial.

 

O caso mais grave descoberto pelos investigadores foi o de uma mulher de 21 anos (cuja identidade não foi revelada) que ficou quase dois anos presa num apartamento em Barcelona, forçada a se prostituir e sem poder sair à rua, nem ter contato com o exterior. A vítima, que era menor de idade quando chegou à Espanha, foi revendida a uma outra quadrilha, que também atuava na Catalunha e já foi desmantelada.

Segundo os policiais, as 28 brasileiras encontradas nos prostíbulos da organização estão recebendo atenção médica e psicológica em ONGs de ajuda às mulheres exploradas sexualmente, como a Agência de Abordagem Integral de Trabalho Sexual, e deverão ser repatriadas em breve.

Os 15 detidos por de tráfico de pessoas enfrentam acusação de coação e obtenção de lucro com a prostituição, formação de quadrilha, falsificação de documentos, agressões sexuais, lesões e violação dos direitos dos cidadãos estrangeiros e de direitos trabalhistas.

A operação continua aberta e a polícia espanhola já emitiu uma ordem internacional de prisão para outros membros da quadrilha em diversos países europeus. Os dados sobre a identidade das vítimas e das máfias brasileiras envolvidas no caso não foram divulgados pela polícia, porque fazem parte da investigação em andamento, disse um policial.

 

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