Kevin Lamarque/Reuters e Brendan Smialowski/AFP
Kevin Lamarque/Reuters e Brendan Smialowski/AFP

Quais são os Estados que podem decidir as eleições nos EUA?

Votos decisivos virão de Flórida, Pensilvânia, Wisconsin, Geórgia, Michigan, Arizona, Carolina do Norte, Iowa, Ohio e Texas; saiba o que dizem as pesquisas

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2020 | 13h10

Para conseguir uma vitória no colégio eleitoral, que de fato decide a eleição nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump e o candidato democrata, Joe Biden, precisam de 270 dos 538 votos em disputa nas eleições de amanhã. Mas os votos decisivos virão de 10 Estados - Arizona, Carolina do Norte, Flórida, Geórgia, Iowa, Michigan, Pensilvânia, Ohio, Texas e Wisconsin - considerados essenciais para a campanha deste ano.

Trump derrotou Hillary Clinton em 2016 graças a vitórias na Pensilvânia, Wisconsin e Michigan, que estão no chamado “Cinturão da Ferrugem”, composto por Estados que tinham grande produção industrial mas que, com a expansão da China, viram suas fábricas desaparecer - e os empregos também. 

Além destes, há outros em disputa, principalmente os chamados “Estados-pêndulo”, que não tem preferência pelo voto definido, e votam ora em democratas, ora em republicanos, caso de Flórida e Ohio. 

E, pela primeira vez em décadas, os democratas podem ganhar em estados historicamente republicanos, como Texas, Arizona e Geórgia.

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Os Estados que decidem a eleição americana

Estadã viajou a dez regiões que definirão o próximo presidente dos Estados Unidos para entender o que pode dar a vitória a Joe Biden ou a Donald Trump

Para que seja possível acompanhar as chances dos candidatos em cada local, o Estadão produziu um agregador de pesquisas. A ferramenta faz diariamente 10 mil eleições simuladas, com base em resultados de pesquisas eleitorais, e projeta a mais provável distribuição de delegados para cada candidato no colégio eleitoral dos EUA. 

Saiba o que está em jogo em cada Estado-chave:

Flórida (29 votos no colégio eleitoral)

Dos mais de 50 milhões de votos nas eleições presidenciais no Estado de 1992 a 2016, apenas 18 mil votos separam o total obtido pelos dois partidos, uma prova de como a disputa é acirrada na região. Segundo a média das pesquisas mais recentes de intenção de votos consolidada pelo Estadão, Joe Biden lidera numericamente a intenção de voto no Estado - mas por uma margem extremamente apertada. O democrata conta com 50,9% das intenções, frente a 49,1% de Trump

Ambas as campanhas investiram muito em atrair o eleitor da Flórida, embora o Estado seja mais essencial para Trump do que para Biden. A maior parte dos caminhos para a reeleição passa pela Flórida. Caso perca para os democratas no Estado, o presidente terá poucas alternativas para vencer.

Pensilvânia (20 votos no colégio eleitoral)

As autoridades estaduais indicaram que só esperam completar a apuração na sexta-feira, prazo máximo para que as cédulas enviadas pelo Correio sejam entregues. O prazo de apuração no Estado foi contestado pelos republicanos em mais de uma oportunidade, mas a Suprema Corte optou por continuar permitindo que as cédulas sejam recebidas após o dia da eleição. Ao menos pelo momento. 

Biden terá que vencer por uma grande margem na Filadélfia e nos subúrbios vizinhos, assim como em Pittsburgh. Trump, que venceu no Estado em 2016, algo que não ocorria entre os republicanos desde 1988, espera expandir o apoio nas áreas rurais. 

De olho nos 20 delegados da Pensilvânia, Trump e Biden intensificaram a campanha por lá na reta final. Hoje, as pesquisas indicam 52,74% de intenção de voto no Estado para o democrata Joe Biden, frente aos 47,26% de Trump. 

Michigan (16 votos no colégio eleitoral)

Trump venceu no Estado em 2016 por menos de 11 mil votos, ou 0,22% - o resultado mais apertado em todo o país. Dois condados importantes a serem observados são Wayne e Macomb. O primeiro, onde está Detroit, é tradicionalmente democrata. Já Macomb, ao norte, deu a Trump uma vitória por 11 pontos percentuais em 2016, após eleger duas vezes Obama.

Joe Biden, que nos últimos dias fez campanha no Estado ao lado do ex-presidente Barack Obama, lidera nas pesquisas, com 53,94%. Trump possui 46,06% das intenções de voto. 

Wisconsin (10 votos no colégio eleitoral)

Os democratas esperam aproveitar as vantagens nas duas maiores cidades - Milwaukee e Madison -, enquanto buscam votos nas áreas suburbanas e tentam diminuir o apoio a Trump na parte rural do Estado. 

Em 2016, Trump venceu por menos de 23 mil votos, o terceiro resultado mais apertado entre os Estados vencidos por ele. O presidente foi o primeiro republicano a vencer em Wisconsin desde Ronald Reagan, em 1984. 

Um dos motivos mais citados para a vitória de Trump foi a queda no comparecimento dos eleitores negros, que estão concentrados em Milwaukee. O Center for American Progress, um think tank liberal, estimou uma queda de 18,9% pontos percentuais na participação deste grupo em todo o Estado entre 2012 e 2016. Os resultados no condado de Milwaukee indicarão se Biden conseguiu reverter essa tendência, algo essencial para que ele conquiste a vitória em Wisconsin.

No fim de outubro, a Suprema Corte rejeitou mudanças relacionadas à pandemia nas regras eleitorais estaduais. Cédulas enviadas pelos Correios, portanto, devem ser recebidas até o dia da eleição para serem válidas. O Estado está passando por um surto de infecções e mortes por covid-19, mantendo a resposta da Casa Branca à pandemia no foco da campanha. As pesquisas apontam que Biden tem 54,79% de chance de vencer no Estado. Trump aparece com 45,21%. 

Geórgia (16 votos no colégio eleitoral)

Urnas fecham às 21h, mas as autoridades eleitorais dizem que precisarão de alguns dias para concluir a apuração dos votos. Desde 1972, o Estado é considerado reduto dos republicanos. Nas últimas 12 eleições, os democratas ganharam apenas 3, somente quando os candidatos eram os sulistas Bill Clinton, em 1992, e Jimmy Carter, nascido na Geórgia, em 1976 e em 1980. 

Agora, pesquisas mostram que a disputa no Estado está acirrada. Joe Biden tem 51,45% de intenção de voto, Trump aparece com 48,55%. 

Terra de Martin Luther King, o Estado tem uma porcentagem de eleitores negros superior à média nacional. Com a promessa de acabar com o racismo na sociedade americana, Biden aposta nesse eleitorado para ganhar os 16 votos da Geórgia no colégio eleitoral. Já Trump mobiliza sua base em torno da cisão racial ao argumentar que os protestos antirracismo levarão o país ao caos em um eventual governo democrata.

Carolina do Norte (15 votos no colégio eleitoral)

Nos últimos 50 anos, apenas dois democratas venceram: o sulista Jimmy Carter, em 1976, e Barack Obama, em 2008. Mas as mudanças demográficas estão dando esperança aos democratas, à medida que mais eleitores não brancos e com ensino superior estão morando no Estado. Biden precisará de uma forte participação desses eleitores para superar os das áreas rurais, que continuam apoiando fortemente os republicanos. 

As autoridades eleitorais já começaram a validar os votos antecipados, mas eles só serão atribuídos aos candidatos amanhã. Cédulas enviadas pelo Correio que chegarem até o dia 12 serão válidas. Desta forma, os resultados oficiais devem demorar. A permissão para contabilizar cédulas recebidas após o dia do pleito chegou a ser alvo de questionamento por parte dos republicanos durante a campanha. 

No momento, Joe Biden segue numericamente à frente na Carolina do Norte, com 51,59% das intenções de voto. Trata-se de uma distância pequena em relação a Trump, que conta com 48,41%. 

Ohio (18 votos no colégio eleitoral)

Desde 1896, os cidadãos de Ohio acertaram quem chegaria à Casa Branca em todas as eleições, exceto em duas. Trump venceu no Estado por 8,1 pontos percentuais em 2016, conquistando 80 dos 88 condados e garantindo a maior vantagem para um candidato em quase 30 anos. 

Para reverter a tendência, os democratas precisam aumentar a participação de eleitores negros, que vivem nas grandes cidades, as chamadas “três Cs” - Cleveland, Columbus e Cincinnati - e ter um desempenho melhor que Hillary nas áreas rurais

Pesquisas recentes mostram os candidatos em empate técnico em Ohio, com Trump numericamente à frente: o republicano tem 50,94% das intenções de voto, enquanto o democrata possui 49,06%. Biden fará hoje campanha em Cleveland.

Iowa (6 votos no colégio eleitoral)

O Estado não deveria estar entre os essenciais nas eleições deste ano, após Trump vencer em 2016 por uma vantagem de 9,6 pontos percentuais.  Este ano, porém, a disputa no Estado se tornou uma incógnita. Trump conta com 50,13% das intenções. Biden, com 49,87%. 

Enquanto a população rural e branca tem tendência conservadora, o que favorece o republicano, muitos produtores estão insatisfeitos com a política comercial do governo.

O Estado, onde vive só 1% dos americanos, concentra parte relevante da produção de grãos nacional – soja e milho – e portanto atrair as atenções de qualquer presidente. 

Texas (38 votos no colégio eleitoral)

Conhecido reduto republicano, o Texas deve preferir Trump mais uma vez, mas várias pesquisas mostram uma disputa mais equilibrada do que o normal entre os dois candidatos. Trump venceu no Estado por 9 pontos percentuais em 2016, mas agora está a apenas 1 na frente de Biden. O republicano conta com 50,68% das intenções, enquanto Biden tem 49,32%.

Os democratas citam o bom desempenho de Beto O’Rourke contra Ted Cruz em 2018 na briga por uma vaga no Senado, assim como vitórias em distritos antes republicanos na Câmara dos Deputados, como motivos para acreditar em uma vitória no Estado. Mudanças demográficas também favorecem o partido no Texas.

A Suprema Corte Estadual rejeitou no domingo um recurso republicano para contestar mais de 120 mil votos antecipados no condado de Harris, de tendência democrata. No entanto, uma audiência no tribunal federal sobre o mesmo caso está marcada para esta segunda-feira.

Arizona (11 votos no colégio eleitoral)

Os democratas esperam que o Arizona siga o caminho de Colorado, Novo México e Nevada, todos conquistados por eles nas últimas eleições presidenciais, à medida que mais eleitores do partido se mudaram para estas regiões e os latinos se tornaram mais ativos politicamente. 

Aumentar o comparecimento em Phoenix e garantir votos entre os indecisos nos subúrbios será fundamental para os esforços do partido no estado. Quem vencer no condado de Maricopa, onde está Phoenix, provavelmente conquistará o Estado. Os latinos representam cerca de um terço da população do condado.

As pesquisas mostram que Joe Biden conta com 51,87% das intenções no Estado. Trump tem 48,13%./AP, Reuters e Bloomberg

 

 

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