Qualquer opção bélica seria custosa

Usar força letal para atacar alvos de alto valor no interior da Síria requereria centenas de aviões, navios e submarinos americanos, ao passo que estabelecer uma zona de exclusão aérea custaria até US$ 1 bilhão por mês, segundo uma nova análise de opções militares. Outra opção - na qual os EUA tentariam controlar o estoque de armas químicas da Síria - requereria milhares de soldados e bem mais de US$ 1 bilhão por mês.

CENÁRIO: Gordon Lubold / Foreign Policy, É REPÓRTER, CENÁRIO: Gordon Lubold / Foreign Policy, É REPÓRTER, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2013 | 02h12

Pressionado a apresentar publicamente sua opinião sobre uma intervenção militar na Síria, o chefe de Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Martin Dempsey, disse à Comissão para Serviços Armados do Senado o que a maioria já sabia: há poucas opções boas.

Dempsey esboçou cinco alternativas, incluindo treinamento, consultoria e assistência à oposição. Qualquer uma, provavelmente, "extrapolaria o objetivo militar estrito de ajudar a oposição e aumentar a pressão sobre o regime". Ao opinar sobre a política americana para a Síria, Dempsey apresentou os prós e os contras de cada opção.

Mas, no que se configurou como a análise mais cândida do pensamento do Pentágono sobre a Síria até hoje, Dempsey chegou à conclusão de que cada uma é altamente arriscada. Estabelecer uma zona de exclusão aérea, por exemplo, traria o risco da "perda de aviões americanos".

"Isso exigiria que introduzíssemos forças de recuperação de pessoal. Também pode não reduzir a violência nem mudar o rumo dos acontecimentos, porque o regime se apoia pesadamente em disparos de superfície: morteiros, artilharia e mísseis."

Realizar ataques limitados a alvos de alto valor no interior da Síria poderia causar uma "degradação significativa da capacidade do regime" e aumentar a probabilidade de deserções. Por outro lado, "há um risco de que o governo consiga suportar ataques limitados". Ações retaliatórias e danos colaterais dos ataques americanos poderiam criar problemas grandes e imprevistos, a despeito do melhor planejamento.

Isso ocorreria, segundo Dempsey, num momento de enorme incerteza orçamentária que forçou o Pentágono a dispensar temporariamente funcionários, cortar programas e permitir a queda dos índices de vigilância. "Isso é especialmente crítico porque perdemos prontidão em razão de cortes orçamentários e incerteza fiscal. Algumas opções podem não ser factíveis em tempo ou em custo sem comprometer nossa segurança." / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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