Quando jovem, presidente da Libéria foi preso nos EUA

Acusado por crimes de guerra, sitiado por insurgentes na capital de seu país, convidado por George W. Bush a deixar o cargo e ir para o exílio, o presidente liberiano Charles Taylor está no centro de um impasse em meio à visita do presidente americano à África. Mas ele já foi um jovem desconhecido que, antes de estudar em Boston, no estado de Massachusetts, trabalhou no bombeamento de gás e numa fábrica de plásticos nos Estados Unidos. Ele também ganhou alguma notoriedade ao tornar-se o único foragido da prisão do condado de Plymouth que não foi recapturado. Atualmente com 55 anos, Taylor passou os anos 70 em Boston, onde se formou em Economia no Bentley College em 1977, e onde se tornou ativista em favor de questões liberianas. Delores Adighibe, sua vizinha de apartamento durante cinco anos, lembra-se de quando ambos estudavam juntos no Bentley, e qualificou o então colega africano de ?politizado e generoso?. No entanto, Adighibe, dirigente da Comunidade Liberiana de Massachusetts, se diz atualmente desapontada com Taylor. Outro dirigente das Associações Liberianas em Massachusetts, Mohammed Kromah, disse ter trabalhado ao lado de Taylor com o objetivo de tentar sensibilizar o mundo a respeito do que então se passava no país da África Ocidental. Taylor, que cresceu num subúrbio de Monróvia, a capital liberiana, voltou a seu país em 1979 após uma mudança no regime. Ganhou um alto cargo no governo de Samuel Doe, mas foi acusado de corrupção por desviar US$ 1 milhão enquanto dirigia os Serviços Gerais Liberianos. Fugiu então para os EUA, mas foi detido e encarcerado na penitenciária de Plymouth. Em setembro de 1985, conseguiu fugir da prisão e voltar a seu país - onde liderou uma sangrenta rebelião contra Doe, que deixou centenas de milhares de mortos nos anos 80, tornando-se o mais duro senhor da guerra. Sua chegada à presidencia em 1997 não tranqüilizou o pais, onde uma nova rebelião armada já dura três anos. Por incentivar sangrenta rebelião em Serra Leoa, foi acusado de crimes de guerra por um tribunal da ONU instalado no país vizinho.

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