QUANDO SER POLIGLOTA NÃO TRAZ VANTAGEM

Republicanos Romney, Gingrich e Hunstman são criticados por dominar mais de um idioma

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2012 | 03h01

Falar inglês, e apenas inglês, é considerado por muitos republicanos um dos raros pontos positivos do presidente Barack Obama. Apesar de arranhar algumas palavra na língua indonésia (o bahasa), ele consegue se expressar com fluência apenas em sua língua nativa. Seu espanhol não pode sequer ser classificado como básico em uma instituição de ensino.

Nas primárias republicanas, candidatos poliglotas que viveram em outros países têm sido alvo de ataques justamente por possuírem tais características, em contraste com o que ocorre em campanhas eleitorais da maior parte dos outros países do mundo.

Fluente em mandarim, o ex-pré-candidato Jon Huntsman chegou a ser acusado por simpatizantes de Ron Paul de servir aos "interesses da China", onde foi embaixador, e contrariar as ambições americanas. Comerciais mostraram de forma pejorativa imagens de Huntsman se expressando na língua dos maiores rivais econômicos dos EUA.

Mitt Romney, favorito na disputa republicana, sofreu ataques por ser fluente em outro idioma além do inglês. A campanha de Newt Gingrich, um de seus mais fortes concorrentes, exibiu há pouco mais de uma semana uma propaganda com uma série de críticas a Romney que termina com a frase: "E ele fala francês" - como se esse atributo fosse um grave defeito do ex-governador de Massachusetts. Pouco depois, o próprio Gingrich, que viveu na França, também foi "acusado" de saber francês.

Os EUA já tiveram chefes de Estado poliglotas. John Adams, por exemplo, o segundo presidente americano, sabia grego, latim e hebraico. Thomas Jefferson, seu sucessor, lia em árabe. No século 19, vários outros ocupantes da Casa Branca conheciam outros idiomas.

Mais recentemente, porém, nenhum presidente tinha a desenvoltura de Romney e Huntsman em outras línguas. Bill Clinton mal conseguia conversar em alemão, enquanto George W. Bush e Jimmy Carter eram capazes de se expressar em espanhol, apesar dos inúmeros erros gramaticais.

Obama, por sua vez, teve a oportunidade de aprender outros idiomas enquanto estudou ciências políticas em Columbia e, posteriormente, quando foi aluno da Escola de Direito de Harvard. Essas duas universidades oferecem dezenas de cursos de línguas estrangeiras já incluídos nas caras anuidades. Obama também viveu em uma área porto-riquenha de Nova York. Nem assim ele aprendeu a falar espanhol. / G.C.

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