EFE/EPA/WILL OLIVER
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Quarentena para viajantes da Espanha é alvo de críticas no Reino Unido

Reino Unido é o país mais afetado da Europa, com 45 mil mortes, mas medida de última hora contrariou viajantes, a indústria do turismo e a oposição

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2020 | 13h50

LONDRES - Turistas britânicos e espanhóis, a indústria do turismo do Reino Unido e a oposição criticaram neste domingo, 26, a reimposição sem aviso prévio de uma quarentena obrigatória de 14 dias para viajantes da Espanha. O governo espanhol reagiu dizendo que a Espanha é segura tanto para os espanhóis quanto para os turistas que desejam visitar o país, sem criticar diretamente os britânicos. 

Menos de um mês após a revogação, o governo do primeiro-ministro Boris Johnson anunciou na noite de sábado que a Espanha está novamente na lista de países em risco de ter um surto de coronavírus devido a vários casos novos. A medida entrou em vigor à meia-noite do sábado, poucas horas após seu anúncio, surpreendendo muitos viajantes.

"Estamos chocados, não vimos isso acontecer, caso contrário nem teríamos viajado", disse Jill Witte, que chegou neste domingo de Barcelona no aeroporto de Gatwick com os maridos e os filhos. Para a mulher de 53 anos, a mudança de última hora irá prejudicar sua família "massivamente".

A oposição afirmou que a decisão foi desorganizada e deixou os viajantes "confusos e desamparados", de acordo com Jonathan Ashworth, responsável pelo setor de saúde do Partido Trabalhista, em entrevista à Sky News

"Os dados compilados na sexta-feira mostraram um ressurgimento (de casos) na Espanha", justificou o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab, ao Sky News, afirmando que não irá pedir desculpas pela medida rápida. "Precisamos tomar decisões rápidas ou corremos o risco de nova contaminação no Reino Unido, uma segunda onda potencial e mais confinamento", acrescentou. O Reino Unido é o país mais afetado da Europa, com mais de 45 mil mortes.

Críticas

"Esta decisão é um desastre absoluto para a recuperação. Não há outra maneira de ver isso", escreveu Angel Tavares, chefe da área de economia europeia da consultoria Oxford Economics, no Twitter, referindo-se à medida de quarentena. Na semana passada, a Noruega restabeleceu a necessidade de quarentena de 10 dias para as pessoas que chegaram da Espanha, enquanto a França aconselhou as pessoas a não viajarem para a Catalunha.

Na Espanha, o coronavírus causou 28.432 mortes e infectou mais de 272 mil pessoas. Quase metade dos novos casos espanhóis foram registrados na Catalunha, onde as autoridades decidiram por um reconfinamento na região de Barcelona há uma semana. 

O governo espanhou reafirmou no domingo dizendo que o país é seguro para os espanhóis e para os turistas e, agora, deve concentrar esforços na tentativa de convencer o Reino Unido a excluir as Ilhas Baleares e Canárias da medida de quarentena. A prevalência do vírus nesses destinos populares de viagens é muito menor do que no Reino Unido. Os britânicos desaconselharam todas as viagens, exceto as essenciais, à Espanha continental, deixando as ilhas turísticas fora do conselho, mas incluindo-as na medida de quarentena.

A medida anunciada pelo Reino Unido prejudicou os planos de muitas pessoas em férias e causou mais interrupções para as companhias aéreas e empresas de turismo. “É um pouco louco (tomar essa decisão) considerando que as restrições existentes na Espanha já são muito boas, com as máscaras, desinfetando tudo, lavando as mãos nas lojas. É melhor do que o que temos em Londres", disse Rich Lambert, um oficial de comunicações no aeroporto de Barcelona. 

"Isto é ridículo. Quase não há casos aqui e há uma chance muito maior de pegar o vírus quando eu voltar ao Reino Unido”, reclamou John Snelling, de 50 anos, de Stratford-upon-Avon, que estava de férias em Menorca. Maria Frontera, chefe da associação hoteleira de Mallorca, disse que ficou chocada com a decisão do Reino Unido "assim como os cidadãos britânicos que estavam aproveitando suas férias na Espanha".

Alemanha estuda testes obrigatórios para turistas

A Alemanha, país mais populoso da Europa, estuda introduzir testes obrigatórios de coronavírus para turistas e cidadãos que retornam de destinos de alto risco após o número de novas infecções no país atingir maior alta em dois meses, informou o ministro da Saúde no sábado. O ministro da Saúde, Jens Spahn, disse à rádio Deutschlandfunk que o governo deseja fazer todo o possível para conter a propagação do vírus, além de respeitar os direitos básicos das pessoas. 

“Também estamos verificando se é legalmente possível obrigar alguém a fazer um teste, porque isso seria uma violação da liberdade”, afirmou Spahn.   / Reuters e AFP 

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