Quarteto pede retomada das negociações entre israelenses e palestinos

Líder do grupo, ex-primeiro-ministro Tony Blair espera retomada das conversas dentro de um mês.

BBC Brasil, BBC

23 Setembro 2011 | 22h57

O Quarteto para o Oriente Médio, grupo formado por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU, pediu nesta sexta-feira a retomada imediata das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, após a reivindicação do presidente Mahmoud Abbas para o reconhecimento do Estado palestino nas Nações Unidas.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse que o enviado especial do quarteto à região, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, vai trabalhar para colocar as duas partes na mesa de negociações.

Em entrevista à BBC, Blair disse que a "a posição do quarteto é que nós perfeitamente entendemos que os palestinos têm o direito de ir à ONU e apresentar seu pedido".

"O que quer que aconteça na ONU não vai funcionar se não houver negociações", disse Blair. Ele espera que os dois lados voltem a negociar "em um mês, definindo um cronograma para o esboço de um acordo no período de um ano", disse.

Os palestinos pedem a delimitação de seu Estado a partir das fronteiras de 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental - territórios ocupados por Israel, que rechaça veementemente a decisão palestina.

Nesta sexta-feira, Abbas disse no plenário da ONU que "chegou a hora" de seu povo "ganhar liberdade".

"Em um momento em que o povo árabe afirma sua luta pela democracia na chamada Primavera Árabe, chegou a hora também da primavera palestina, a hora para a independência", declarou Abbas.

Logo depois, ele entregou formalmente ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o pedido para adesão palestina como membro pleno das Nações Unidas.

Abbas afirmou que o reconhecimento internacional de um Estado palestino "seria a maior contribuição para a paz" no Oriente Médio.

Israel

Logo após o discurso de Abbas, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu subiu a tribuna da ONU para rejeitar a proposta palestina.

Netanyahu disse que os palestinos primeiro precisam entrar em paz com Israel para só depois pedir o reconhecimento de seu Estado.

A paz precisa estar ancorada na segurança e não pode ser alcançada por meio de resoluções da ONU, somente por meio de negociações diretas", disse o premiê israelense, que ofereceu sua "mão" para todos no Oriente Médio, mas "especialmente aos palestinos".

Ele ainda convidou Abbas para negociações sobre a paz imediatas, que começassem ainda no dia de hoje.

"Agora que estamos na mesma cidade, no mesmo prédio, vamos nos encontrar hoje, aqui na ONU. Ninguém nem nada vai nos impedir se isso for realmente nosso objetivo. Vamos falar abertamente e, se Deus quiser, encontrar um caminho comum para a paz", disse.

Veto

O pedido de reconhecimento será analisado pelo Conselho de Segurança da ONU, onde deve enfrentar resistência dos Estados Unidos, que têm poder de veto.

Na quinta-feira, o presidente Barack Obama disse na Assembleia Geral da ONU que os palestinos merecem um Estado próprio, mas que "não há atalhos para a paz" no Oriente Médio e que esse Estado só poderá ser obtido por negociações com Israel.

Para o líder americano, "a paz não virá por meio de comunicados e resoluções da ONU", e sim por meio de diálogos - atualmente emperrados - sobre os temas que dividem palestinos e israelenses. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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