Leonardo Augusto/Estadão
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Quarto avião de deportados dos EUA deve chegar a BH com 100 brasileiros

É o terceiro neste ano, e o quarto em menos de quatro meses, a mandar de volta ao Brasil imigrantes do País que tentaram entrar ilegalmente, via fronteira com o México, nos EUA

Leonardo Augusto / Especial para O Estado de São Paulo, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2020 | 21h41

BELO HORIZONTE - Mais um voo com deportados brasileiros deve aterrissar na noite desta sexta-feira, 14, no aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vindo dos Estados Unidos. É o terceiro neste ano e o quarto em menos de quatro meses a mandar de volta ao Brasil imigrantes brasileiros que tentaram entrar ilegalmente nos EUA pela fronteira com o México.

No primeiro voo, em 26 de outubro, chegaram 70 pessoas, no segundo, em 24 de janeiro, 50, e no de 7 de fevereiro, 130. A lista de passageiros do voo desta noite contém 100 brasileiros, segundo informou a PF. As deportações atuais fazem parte de novo entendimento entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, que facilita o procedimento de saída daquele país de imigrantes ilegais. 

Antes do voo de 26 de outubro do ano passado, outra deportação de número mais elevado de imigrantes brasileiros detidos nos EUA só havia ocorrido em 28 de janeiro de 2004, quando 278 pessoas detidas no presídio de Florence, no Arizona, desembarcaram no aeroporto de Confins. 

Os voos chegam pela cidade mineira por ser do Estado o maior número de deportados. Em nota, a Polícia Federal disse que caberá à corporação “realizar os procedimentos de controle migratório, uma de suas competências definidas pela Constituição da República”.

México

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já declarou que a deportação nos voos que têm chegado a Minas Gerais seria um caminho menos traumático do que o retorno forçado a cidades mexicanas na fronteira, conhecidas pelos casos de violência de máfias que exploram o fluxo migratório e por cartéis de narcotraficantes.

 

Há brasileiros com filhos despachados para Ciudad Juárez, cidade mexicana próxima de El Paso, no Texas, onde os EUA mantêm um centro de detenção para imigrantes ilegais. Em Ciudad Juárez, alguns ficam em um centro de acolhida administrado pela Igreja esperando pelo resultado a seu pedido de visto como refugiados.

O Ministério de Relações Exteriores do Brasil ainda não tem dados de quantos brasileiros estão na região de Ciudad Juárez, pois depende de as famílias buscarem contato e assistência – o Consulado-geral na Cidade do México fica a 1,8 mil quilômetros de distância. 

O consulado deslocou um servidor para a região para tentar fazer um levantamento e obter contato com as famílias, já que as autoridades mexicanas também não possuem controles auferidos. O consulado tenta preparar um relatório mais detalhado da situação, mas diplomatas acreditam que o número não seja alto.

O Itamaraty informa que não denuncia imigrantes ilegais e que dá “toda a assistência consular cabível a brasileiros no exterior, qualquer que seja o status migratório”. O ministério diz que “não cria dificuldades para que os brasileiros deportados de acordo com a lei local regressem ao Brasil”. “Acreditamos que, para os próprios brasileiros, isso é muito melhor do que ficar aglomerados em más condições na fronteira mexicana”, argumenta o Itamaraty.

 

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