James Borchuck/Tampa Bay Times/AP
James Borchuck/Tampa Bay Times/AP

Quase 100 anos depois, baía de Tampa volta a ser atingida por furacão

Segundo estudo, local é a área mais vulnerável do país diante de um furacão, e os prejuízos na região podem somar US$ 175 bilhões; densidade da população, de 3 milhões de pessoas, também agrava o risco de mortes

O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2017 | 20h29

TAMPA, ESTADOS UNIDOS - Com suas imensas praias de areia branca, hotéis de luxo e milhões de habitantes, a baía de Tampa, na costa oeste da Flórida, é considerada uma das áreas mais vulneráveis dos Estados Unidos diante de furacões como Irma.

O último grande furacão a atingir as cidades costeiras de São Petersburgo, Clearwater e Tampa remonta a 1921. Os habitantes atribuem o longo período de tranquilidade a um antigo ritual indígena que deu poderes mágicos aos grãos de areia de Siesta Key, classificada como a praia mais bonita dos Estados Unidos. 

Mas o encantamento parece ter sido quebrado pelo Irma, que agora se dirige para a região. Às 18 horas (Horário de Brasília), os ventos de Irma atingiam 177 km/h, como furacão de categoria 2, com o olho a apenas 8 quilômetros ao norte de Naples.

"Se você vive em Naples, Fort Myers, Sarasota ou na área da baía de Tampa, este furacão tem o potencial de ser o pior cenário segundo os meteorologistas e os serviços de emergência", declarou neste domingo o senador da Flórida Marco Rubio. 

"Já se passou muito tempo desde que a região de Tampa sofreu com um furacão e as pessoas não se lembram como enfrentar um", completou o político.

Segundo avaliação da empresa Karen Clark y Co, a baía de Tampa é a área mais vulnerável do país diante de um furacão, e os prejuízos na região podem somar US$ 175 bilhões.

Situada na costa oeste da península da Flórida, São Petersburgo se destaca como uma península em si que desemboca no Golfo do México. A cidade de Tampa está situada no braço desta mini-península. 

Esta "língua de terra cria um grande funil, especialmente quando os ventos se aproximam da entrada da baía", explica este estudo, que data de 2015. "Uma forte tempestade que se mova na direção correta vai arrastar uma enorme massa de água que ficará presa na baía e inundará grandes áreas de Tampa e São Petersburgo."

Outro fator é topográfico. As ondas ampliadas pelo furacão atingirão uma costa de baixa elevação e situada em uma plataforma continental plana. Tampa poderá ser atingida por uma maré de tormenta, um fenômeno mortal durante um furacão.

A densidade da população também agrava o risco. Em 1921, quando um furacão de categoria 3 atingiu Tampa, a região tinha cerca de 10 mil habitantes. Hoje são 3 milhões de pessoas, a metade vivendo a menos de três metros sobre o nível do mar. 

Muitos moradores foram pegos de surpresa quando Irma mudou de direção seguindo pela costa oeste da Flórida, deixando pouco tempo para o esvaziamento da região em torno da baía de Tampa. 

O prefeito de Tampa, Bob Buckhorn, garantiu que a cidade está fazendo todo o possível para que a população abandone a região costeira, conhecida como Zona A. 

Para aqueles que pensam e ficar durante o furacão, o prefeito citou o ex-boxeador Mike Tyson: "Todo mundo tem um plano até receber um soco na cara. Pois bem, estamos a ponto de receber um soco na cara". / AFP

 

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