JOAQUIN SARMIENTO / AFP
JOAQUIN SARMIENTO / AFP

Quase 2 milhões de pessoas deixaram a Venezuela desde 2015, diz ONU

Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados diz que cerca de 5 mil pessoas deixam o país diariamente com destino, principalmente, a outros países da América do Sul como Brasil, Colômbia, Equador e Peru

O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 11h57

GENEBRA - Pelo menos 1,9 milhão de pessoas deixaram a Venezuela desde 2015 fugindo da crise econômica e política que o país atravessa, informou a ONU nesta segunda-feira, 1º.

"Com mais de 2,6 milhões de pessoas no exterior do país atualmente, é crucial uma perspectiva apolítica e humanitária para ajudar os países que os recebem em um número que vai crescendo", declarou o alto comissário da ONU para os refugiados, Filippo Grandi, durante a abertura da reunião anual do comitê executivo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) que acontece esta semana em Genebra.

"Cerca de 5.000 pessoas deixam a Venezuela por dia hoje. É o maior movimento de população na história recente da América Latina", acrescentou.

Interrogado pelo fluxo cotidiano em massa, um porta-voz da Acnur, William Spindler, explicou que "se observa esta tendência desde o início deste ano", insistindo em que "o grande êxodo começou em 2018".

"Segundo os dados oficiais do governo, estimamos que 1,9 milhão de venezuelanos deixaram seu país desde 2015 para se dirigir, principalmente, para outros países da América do Sul como Brasil, Colômbia, Equador e Peru", acrescentou o porta-voz.

O Acnur e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) anunciaram, em 19 de setembro, a nomeação do ex-vice-presidente da Guatemala Eduardo Stein como representante especial para a crise migratória venezuelana.

País em crise

A população venezuelana está asfixiada por uma crise econômica caracterizada pela hiperinflação, pobreza, falta de serviços públicos e escassez de artigos de primeira necessidade, especialmente remédios e alimentos. Isso provocou um êxodo em massa de centenas de milhares de venezuelanos.

"Felicito os Estados que mantiveram suas fronteiras abertas e que oferecem asilo, ou outras formas de estância legal" para os venezuelanos, disse Grandi.

"Ainda resta muito por fazer para garantir a coerência regional da resposta dada em matéria de proteção dos indivíduos", advertiu. / AFP

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