Quatro israelenses e dois palestinos morrem em ataque

Dois militantes islâmicos palestinos do grupo Hamas atacaram hoje com granadas e armas automáticas um posto militar no sul de Israel, perto da fronteira do Egito e do território da Faixa de Gaza, matando quatro soldados. Os dois foram mortos pelas tropas israelenses. A ação armada pôs fim a três semanas de relativa calma em Israel e nos territórios ocupados da Faixa de Gaza e Cisjordânia iniciada com a exortação feita em 13 de dezembro pelo presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, para que os grupos extremistas pusessem fim aos ataques contra israelenses. Arafat condenou duramente o ataque e prometeu punir os responsáveis, mas o primeiro-ministro de Israel responsabilizou-o pelo ocorrido, dizendo ser parte da "estratégia terrorista" dele. O gabinete de segurança israelense reuniu-se horas depois para estudar uma resposta enquanto a AP removia seus funcionários de postos de polícia e sedes de governo nas áreas sob seu controle nos territórios. Os dirigentes palestinos estavam certos de que Israel responderia com bombardeios e incursões militares em cidades e vilarejos autônomos, como ocorreu nas outras vezes em que houve atentados contra seus cidadãos. Fontes chegadas ao primeiro-ministro Ariel Sharon asseguraram que haveria uma "resposta imediata". Sharon mais uma vez responsabilizou Arafat pelo ocorrido. Os quatro soldados mortos eram árabes beduínos, grupo originalmente nômade que habita o sul de Israel. Os beduínos se integram ao Exército no corpo de sapadores (rastreadores), por serem profundos conhecedores da topografia e costumam patrulhar as fronteiras. O posto militar em que os quatro serviam protegia o kibutz (fazenda coletiva) de Kerem Shalom, reconstruído recentemente. Os atacantes pertenciam aos Batalhões Azedim al-Qassin, braço armado do movimento islâmico Hamas, informou em Beirute o canal Al-Manara de TV, do grupo guerrilheiro Hezbollah. O grupo sugeriu que a ação era uma resposta à apreensão por Israel de um carregamento de 50 toneladas de armas e munições, há uma semana, num navio no Mar Vermelho. Israel acusa a AP de envolvimento nessa operação. O capitão do navio, um oficial da Polícia Marítima, disse ter sido contratado por funcionários palestinos. A AP nega participação no contrabando e hoje Arafat condenou duramente o ataque ao posto militar e prometeu punir os culpados. O Hamas anunciara no último dia 21 a interrupção dos ataques, depois de vários de seus militantes terem sido presos pela polícia palestina. Funcionários da AP disseram que um dos atacantes de Kerem Shalom era membro de sua Polícia Marítima. Em Washington, o governo do presidente George W. Bush denunciou o assassinato dos quatro soldados israelenses e pediu a Arafat que faça prisões e extermine o Hamas.

Agencia Estado,

09 Janeiro 2002 | 19h41

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.