EFE/EPA/US SENATE TV
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Quatro lições do julgamento político de Donald Trump

Senado absolveu presidente americano nesta quarta-feira, 5, após processo que evidenciou a divisão do país

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 19h53

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos absolveu Donald Trump nesta quarta-feira, 5, após um julgamento de impeachment que evidenciou a divisão do país, a firme autoridade do presidente com os republicanos e a capacidade oratória do democrata Adam Schiff, que desempenhou o papel de promotor chefe. Veja quatro lições aprendidas com o processo:

Um país dividido em dois

O julgamento do chamado escândalo ucraniano ilustrou a profundidade das diferenças entre democratas e republicanos no Congresso, mas também as que dividem os americanos comuns sob a administração pouco ortodoxa do magnata imobiliário e ex-estrela da televisão.

Para os democratas, Trump é um líder perigoso que acredita estar acima da lei. Para os republicanos, o presidente é vítima de uma campanha orquestrada por seus inimigos para impedir sua reeleição.

Segundo as pesquisas, quase metade dos americanos deseja que Trump seja expulso da Casa Branca, uma opinião de 85% dos eleitores democratas e 10% dos republicanos.

Republicanos alinhados

Trump ganhou a eleição republicana em 2016. Apesar da rejeição aberta de alguns membros desse partido, hoje tem o total controle de suas tropas, às quais exige lealdade absoluta.

Em sua conta no Twitter, sua arma favorita, retribui elogios àqueles que o defendem e critica os dissidentes.

No Congresso, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, é seu aliado e mantém os legisladores do partido alinhados.

Embora dois senadores republicanos tenham votado a favor de chamar testemunhas, o que teria prolongado o julgamento, o lado de Trump finalmente venceu, deixando de lado o testemunho de pessoas como o ex-assessor John Bolton.

Instituições danificadas

A polarização está prejudicando o trabalho do Congresso. Desde que os democratas recuperaram o controle da Câmara dos Deputados em 2019, centenas de leis aprovadas por esse órgão foram suspensas pelo Senado, de maioria republicana.

O impeachment apenas intensificou ainda mais a situação, o que deixa qualquer acordo entre democratas e republicanos como algo praticamente impossível.

Segundo a senadora republicana Lisa Murkowski, que acredita que o comportamento do presidente estava errado, isso impediu que o julgamento de Trump fosse justo. “Me entristece dizer que, como instituição, o Congresso fracassou”, afirmou.

Schiff, grande orador

Schiff, promotor chefe do julgamento, cativou os parlamentares por horas com seus detalhados e habilidosos discursos sobre o que aconteceu no escândalo, acrescentando expressividade teatral.

Em uma de suas últimas exposições, Schiff afirmou que Trump deveria ser retirado de seu cargo “porque o que é certo importa e a verdade importa. Caso contrário, estamos perdidos”, disse.

A atriz Alyssa Milano, que assistiu a partes do julgamento, elogiou o desempenho de Schiff. “Foi realmente interessante, especialmente da perspectiva de uma atriz”, afirmou.

Até o senador Lindsey Graham, defensor radical de Trump, disse que Schiff fez “um bom trabalho”. /AFP

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