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Quatro meninos resgatados na Tailândia já estão no hospital

Autoridades locais afirmam que o resgate foi interrompido, mas será retomado possivelmente ainda hoje; em cartas a parentes, meninos dizem que estão bem

O Estado de S.Paulo

08 Julho 2018 | 01h46
Atualizado 08 Julho 2018 | 20h53

MAE SAI, TAILÂNDIA –  Quatro dos 12 meninos e um adulto que estavam presos há duas semanas em uma caverna inundada na Tailândia já estão em um hospital em Chiang Rai. A operação fez uma pausa e pode ser retomada ainda neste domingo (manhã de segunda-feira na hora local). 

Os quatro receberam os primeiros atendimentos no hospital de campanha montado perto da entrada da caverna e removidos de helicóptero para um hospital em Chiang Rai, onde um andar inteiro foi reservado para o resgate. Segundo o chefe da operação, que até há alguns dias era governador da Província de Chiang Rai, Narongsak Osottanakorn, as condições para o resgate estavam perfeitas. As condições de saúde dos meninos não estavam claras. A TV americana informou que eles ficarão isolados por entre um ou dois dias.  

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O chefe da operação afirmou que ela foi "melhor do que o esperado". Nessa complicada e perigosa missão, os quatro meninos tiveram de mergulhar na caverna alagada, acompanhados por especialistas em mergulho.

Pouco antes das 20h (horário local) o SEAL da Marinha tailandesa, que participa da operação, informou em sua página oficial no Facebook que os quatro haviam sido resgatados. Pouco depois das 21h, o SEAL da Marinha postou no Facebook novamente, dizendo: "Bons sonhos a todos. Boa noite."

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Segundo Narongsak, 90 mergulhadores participam do resgate – entre membros da Marinha tailandesa e estrangeiros. Cada criança será acompanhada por até dois mergulhadores. Sem previsão de quanto tempo irá durar a operação, Narongsak informou que os profissionais devem levar 11 horas apenas para a retirada de cada criança e  o resgate completo do grupo poderá continuar por dias.

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Antes do início oficial das operações de resgate, as autoridades ordenaram que os veículos de imprensa deixassem as proximidades da caverna. No local, 13 ambulâncias e dois helicópteros com médicos e membros da assistência sanitária aguardavam a saída do grupo para um eventual tratamento de emergência e deslocamento para hospitais da região. 

Especialistas consideram o resgate pela água arriscado, visto que nenhuma das crianças teve treinamento intensivo em mergulho e estão fora das condições físicas. No entanto, o chefe da operação diz que a melhora no tempo abriu uma janela de oportunidade que poderá se fechar caso as chuvas torrenciais retornem à região, dificultando a drenagem da água da caverna e limitando as chances de acesso às crianças. Ele afirmou também que os parentes das crianças foram alertados dos riscos da operação de resgate.

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O caminho de 1,7 quilômetros até a câmara onde estão as crianças e o técnico é escuro e repleto de passagens estreitas e submersas. A correnteza no local é forte e os níveis de oxigênio são baixos. A trajetória é tão difícil que um ex-mergulhador da Marinha da Tailândia morreu durante uma tentativa de resgate.

As doze crianças, com idades entre 11 e 16 anos, fazem parte de um time de futebol juvenil. Os jovens desapareceram no dia 23 de junho, quando estavam explorando uma caverna. Eles estavam acompanhados do técnico, de 25 anos. Todos ficaram presos no local após uma enchente inundar parcialmente a saída da caverna. O grupo foi localizado na última segunda-feira, 2.

O drama arrebatou a Tailândia e foi manchete em todo o mundo. A operação de busca e resgate envolveu especialistas  e equipes de resgate internacionais.

O presidente Donald Trump disse em um tuíte no domingo: "Os EUA estão trabalhando em estreita colaboração com o  governo da Tailândia para ajudar a tirar todas as crianças da caverna em segurança. Pessoas muito corajosas e talentosas!"

As autoridades haviam dito que as chuvas de monção que poderiam elevar os níveis de água na caverna, juntamente com a redução dos níveis de oxigênio no espaço fechado, aumentavam a urgência de se retirar o grupo de lá. Esforços anteriores para bombear a água da caverna foram recuados toda vez que caia uma chuva forte.

Narongsak disse no sábado que especialistas lhe informaram que a água da chuva nova poderia reduzir o espaço não inundado onde os meninos estão abrigados para apenas 10 metros quadrados.

"Estamos em guerra com a água e o tempo desde o primeiro dia até hoje", disse ele no sábado. "Encontrar os meninos  não significa que terminamos nosso missão. É apenas uma pequena batalha que vencemos, mas a guerra não terminou. A guerra termina quando vencemos as três batalhas - as batalhas para buscá-los, resgatá-los e mandá-los para casa."

Cartas

Os meninos pareciam calmos e reconfortantes em anotações manuscritas enviadas para suas famílias que foram divulgadas no sábado. As anotações foram enviadas por mergulhadores que fizeram uma jornada de 11 horas para agir como carteiros.

Um dos meninos, identificado como Tun, escreveu: "Mamãe e papai, por favor, não se preocupem, estou bem. Eu disse a Yod para se preparar para me levar para comer frango frito. Com amor."

"Não se preocupem, sinto falta de todos. Vovô, tio, mãe, pai e irmãos, eu amo todos vocês. Estou feliz por estar aqui dentro, os Navy SEALS cuidaram da gente. Amo todos vocês", escreveu Mick.

"Night ama papai e mamãe e irmão, não se preocupem comigo. Night ama todos vocês”, escreveu Night, na maneira tailandesa de se referir a si mesmo na terceiro pessoa.

A nota mais comovente veio de alguém cujo nome não estava claro: "Eu estou bem, mas o ar está um pouco frio, mas não se preocupem. Não se esqueçam de arrumar minha festa de aniversário."

Outro, de origem indistinta, pediu a seu professor que não lhe dê muito trabalho de casa.

Na sua carta, o treinador, Ekapol Hanthawong, pediu desculpas aos pais dos meninos pela decisão de levá-los para a  aventura que os deixou presos na caverna.

"Para os pais de todas as crianças, agora elas estão bem, a equipe está cuidando bem delas. Eu prometo que vou cuidar das crianças da melhor forma possível. Quero agradecer por todo o apoio e quero pedir desculpas aos pais",  escreveu ele.

Uma atualização de sábado da Marinha tailandesa disse que três Navy SEALs, um deles médico, estavam com os meninos e seu treinador. Os 13 estavam tendo avaliações de saúde e reabilitação, e estavam sendo ensinadas habilidades de mergulho. Alimentos, bebidas energéticas, água potável, medicamentos e vasilhas de oxigênio foram entregues a eles.

A maior preocupação dos socorristas era com os níveis de oxigênio em seu espaço seguro que poderiam cair para níveis perigosamente baixos. Os socorristas não conseguiram estender uma mangueira de bombeamento de oxigênio até onde os meninos estão, mas levaram a eles alguns cilindros. /ASSOCIATED PRESS, EFE, THE WASHINGTON POST, AFP

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