Quatro mil bolivianos trabalham como escravos em Buenos Aires

Aproximadamente 4 mil bolivianos trabalham em condições de escravidão na capital argentina e outros 11 mil têm condições trabalhistas irregulares, segundo cálculos do governo da capital argentina. Em declarações publicadas nesta segunda-feira pelo jornal La Nación, o ministro da Produção no Governo municipal de Buenos Aires, Enrique Rodríguez, disse que os números surgem de um estudo realizado depois da morte de seis bolivianos, quatro deles crianças, em um incêndio ocorrido na quinta-feira passada em uma fábrica têxtil. Rodríguez disse que, dos 15 mil cidadãos bolivianos que trabalham neste tipo de estabelecimento, cerca de 4 mil são utilizados como "mão-de-obra escrava", outros 6 mil recebem ilegalmente e o resto tem situação de trabalho totalmente irregular. "Calculamos que das 1.6 mil fábricas onde há mão-de-obra boliviana, cerca de 160 sejam têxteis clandestinas", disse Rodríguez. "Sabemos que este tipo de fábrica é escondido por trás da fachada de casas de família e controlado por máfias que contratam os trabalhadores na fronteira, os trazem e os mantêm totalmente atemorizados", acrescentou. Denúncias Paralelamente, fontes do Ministério do Governo de Buenos Aires disseram ao jornal La Nación que, desde agosto, as autoridades fecharam 180 fábricas têxteis, embora mais da metade tenha sido reaberta dias mais tarde. Além disso, acrescentaram, depois da divulgação da notícia da morte dos bolivianos no incêndio da quinta-feira passada, o ministério recebeu 43 denúncias telefônicas de moradores sobre a existência de supostas fábricas têxteis clandestinas. O prefeito da cidade, Jorge Telerman, prometeu "terminar com a máfia das fábricas têxteis". Nesta segunda-feira, o Governo municipal publicou um aviso nos principais jornais locais advertindo que "o trabalho escravo mata" e divulgando um número de disque-denúncia. Inspeções O ministro da Produção anunciou que, a partir desta segunda-feira, comandará uma série de inspeções em pelo menos 270 fábricas têxteis de Buenos Aires para detectar trabalhadores estrangeiros sem documentos e regularizar sua situação. As inspeções serão realizadas depois do incêndio em uma fábrica têxtil do bairro de Caballito, onde trabalhavam e moravam cerca de 50 pessoas, todas de nacionalidade boliviana, em condições de escravidão. O ministro alertou que o procedimento, que também terá a participação da Direção de Migrações, do Fisco e da Polícia Federal, constará, entre outras medidas, do registro de todas as fábricas, cujos proprietários terão 15 dias para legalizar tudo. Caso contrário, os estabelecimentos serão fechados.

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