Quatro ministros deixam governo interino na Tunísia

Decisão pode piorar crise política no país; protestos seguem na capital Túnis

Agência Estado

18 de janeiro de 2011 | 13h39

TÚNIS - Quatro ministro do recém-formado governo da Tunísia renunciaram nesta terça-feira, 18, minando as esperanças de que uma administração de união pudesse conter os distúrbios no país. Além disso, milhares de pessoas protestaram em várias cidades exigindo que os membros do antigo regime sejam excluídos da nova administração.

 

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Os ministros que pediram demissão eram contrários ao presidente deposto Zine El Abidine Ben Ali, que comandou o país por 23 anos. Não está claro se as renúncias podem derrubar o governo, que tem 40 ministros no total. Houve confrontos no centro de Túnis por volta da hora em que as demissões foram anunciadas.

 

Primeiro, três ministros ligados ao UGTT, a principal central sindical da Tunísia, renunciaram. São eles Anouar Ben Gueddour, ministro júnior dos Transportes, o ministro do Trabalho Houssine Dimassi e Abdeljelil Bedoui, um ministro sem pasta, deixariam o governo.

 

Posteriormente, o ministro da Saúde, Mustapha Ben Jaafar, do partido oposicionista FDLT, também renunciou ao posto, disse o membro do partido Hedi Raddaoui. A ministra da Cultura, Moufida Tlatli, disse estar avaliando se renunciará, mas antes pretende consultar seus partidários.

 

O popular partido islâmico Ennahdha afirmou que não pretende concorrer nas eleições presidenciais no país e denunciou o novo governo como "de exclusão". Um porta-voz da sigla em Paris, Houcine Jaziri, disse que o partido tomará parte apenas nas eleições legislativas. "Não haverá transição democrática sem o Ennahdha", afirmou.

 

Mohamed Ghannouchi, que ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 1999, disse que o governo de transição inclui ministros ligados a Ben Ali "porque nós precisamos deles nessa fase". Ele insistiu que os ministros têm "as mãos limpas" e "grande competência".

 

Na segunda, Ghannouchi comprometeu-se a libertar presos políticos e retirar restrições a um importante grupo humanitário, a Liga Tunisiana pela Defesa dos Direitos Humanos. Ele disse que o governo iria criar três comissões para estudar a reforma política, investigar casos de corrupção e examinar abusos durante os recentes distúrbios.

 

O protestos que assolam a Tunísia desde dezembro prejudicam a indústria turística desse país mediterrâneo do norte africano. Hoje a operadora de turismo alemã TUI AG informou que cancelará todas suas partidas para a Tunísia até 15 de fevereiro. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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