Quatro mortos em atos de protesto na Bolívia

Dirigentes ?cocaleros? (agricultores que produzem folhas de coca) informaram que quatro camponeses morreram na terça-feira, quando forças do governo reprimiram o bloqueio de estradas na região central de Chapare. A violência começou na segunda-feira, quando os cocaleros interromperam o trânsito numa rodovia importante, exigindo o fim da política de erradicação da planta e que, ao contrário, eles sejam autorizados a plantar meio hectare de coca - uma cultura tradicional no país - por família. Também se opõem à exportação de gás natural e ao Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca). O dirigente dos agricultores Willy Herrera informou de Chapare que foram quatro os camponeses mortos, mas as autoridades confirmaram apenas três mortes. Um dos camponeses morreu na terça-feira à noite no hospital Viedma, de Cochabamba, após ser ferido a bala, disseram funcionários do ministério do Interior. O deputado Jorge Ledezma, do partido opositor Movimento ao Socialismo (MAS), denunciou que uma das vítimas era um jovem agricultor atingido por disparos de uma patrulha do Exército quando tentava, ao lado de outros companheiros, bloquear a estrada pela qual transita 70% da produção nacional.Em Chapare, outrora a região de maior concentração da cultura da coca na Bolívia, outro camponês morreu em um choque com as forças de segurança, informou a imprensa. O presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, que se encontra em Quito participando das solenidades de posse do presidente eleito do Equador, Lucio Gutiérrez, disse estar disposto a dialogar com os cocaleros, desde que cessem as medidas de pressão. Mas os cocaleros não estão dispostos a suspender seus protestos para dialogar com as autoridades. Ao mesmo tempo, a Defensoria do Povo e a Assembléia de Direitos Humanos manifestaram sua disposição de mediar o conflito.

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