Quatro países rejeitam relatório sobre mortes na Bolívia

A primeira missão política da União de Nações Sul-americanas (Unasul) - a investigação do confronto que provocou a morte de 22 pessoas no Departamento (Estado) boliviano de Pando, em setembro passado - foi posta sob suspeição por quatro de seus sócios. Colômbia, Peru, Uruguai e Paraguai rejeitaram a conclusão do relatório final, coordenado pelo advogado argentino Rodolfo Mattarollo, e devem contestá-la durante a reunião de cúpula da Unasul na terça-feira, na Costa do Sauípe, na Bahia.Essa contestação deve matar na origem a proposta do presidente boliviano Evo Morales de criação de uma comissão permanente de direitos humanos na Unasul. O Brasil, até o momento, tenta manter-se neutro nessas discussões. Entregue no último dia 3 por Mattarollo, o relatório conclui que houve um "massacre" na cidade de Porvenir, em Pando, que resultou em um "número indeterminado" de camponeses favoráveis ao governo entre as vítimas fatais. Os agressores, segundo o texto, agiram de forma organizada e responderam a uma cadeia de comando. Entre eles, estavam funcionários do governo estadual - da oposição, que reivindicava maior autonomia e que contestava o projeto de Constituição aprovado exclusivamente pelos aliados de Morales. O relatório ressalta que a polícia estadual não cumpriu sua obrigação de evitar a violência e que os delitos cometidos devem ser julgados pela Justiça comum.Embora houvesse participação de representantes de dez dos 12 países da Unasul na comissão - inclusive o brasileiro Fermino Fecchio, ouvidor-geral da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência -, o relatório foi considerado parcial e apressado pelos governos do Peru, da Colômbia, do Uruguai e do Paraguai.

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