Quatro pessoas mantidas como reféns por 12 horas no Texas são liberadas

Quatro pessoas mantidas como reféns por 12 horas no Texas são liberadas

O homem exigiu a libertação de uma neurocientista paquistanês, condenada por tentar matar oficiais do Exército dos EUA no Afeganistão  

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2022 | 01h40

As quatro pessoas mantidas como reféns por um homem dentro de uma sinagoga do Texas, Estados Unidos, durante 12 horas foram resgatados na noite deste sábado, 15, de acordo com o governador Greg Abbott. O caso aconteceu enquanto a celebração era transmitida ao vivo. Durante a ação, ele pode ser ouvido exigindo a libertação da neurocientista paquistanês Aafia Siddiqui, condenada por tentar matar oficiais do Exército dos EUA no Afeganistão.  

“Você tem que fazer alguma coisa. Eu não quero ver esse cara morto”, bradou. Momentos depois, o feed foi cortado. Um porta-voz da empresa Meta confirmou mais tarde que o Facebook removeu o vídeo.

Acreditava-se inicialmente que pelo menos quatro reféns estavam na sinagoga, conforme três policiais que não estavam autorizados a discutir a investigação em andamento. Estimava-se que o rabino da sinagoga esteja entre os reféns. Um dos funcionários disse que o homem alegou estar armado, mas as autoridades não confirmaram a informação.

O Departamento de Polícia de Colleyville disse que o primeiro refém foi libertado ileso pouco depois das 17h. O liberto não necessitou de atendimento médico. 

As autoridades ainda estão tentando discernir um motivo preciso para o ataque. Além de pedir a liberação, o sequestrador também informou que queria poder falar com ela. Siddiqui está na prisão federal no Texas condenada a 86 anos de prisão pela tentativa de assassinar autoridades americanas no Afeganistão.

A polícia foi chamada pela primeira vez à sinagoga por volta das 11h e as pessoas foram evacuadas da vizinhança logo após, segundo a porta-voz do FBI em Dallas, Katie Chaumont. Não houve feridos relatados. "É uma situação em evolução, e temos muitos policiais em cena", garantiu.

Os cultos estavam sendo transmitidos ao vivo na página do Facebook da sinagoga por um tempo. O Fort Worth Star-Telegram informou que um homem irritado podia ser ouvido reclamando e falando sobre religião às vezes durante a transmissão ao vivo, o que não mostrava o que estava acontecendo dentro da sinagoga.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, twittou na noite de sábado que o presidente Joe Biden foi informado e estava recebendo atualizações de altos funcionários.

O primeiro-ministro israelense Naftali Bennett disse estar monitorando a situação de perto. "Oramos pela segurança dos reféns e socorristas", escreveu ele no Twitter.

O CAIR, o maior grupo de defesa muçulmano do país, condenou a ação. "Este último ataque anti-semita em uma casa de culto é um ato inaceitável do mal", disse o vice-diretor nacional, Edward Ahmed Mitchell, em um comunicado para libertar os reféns com rapidez e segurança. “Nenhuma causa pode justificar ou desculpar este crime”, prosseguiu.

Siddiqui obteve diplomas avançados da Brandeis University e do Massachusetts Institute of Technology antes de ser sentenciada em 2010 a 86 anos de prisão por acusações de agredir e atirar em oficiais do Exército dos EUA depois de ser detida no Afeganistão dois anos antes. A punição provocou indignação no Paquistão entre líderes políticos e seus apoiadores, que a viam como vítima do sistema de justiça criminal americano.

Nos anos seguintes, as autoridades paquistanesas manifestaram interesse publicamente em qualquer  acordo ou troca que pudesse resultar em sua libertação da custódia dos EUA, e seu caso continuou chamando a atenção dos apoiadores. Em 2018, por exemplo, um homem de Ohio que os promotores dizem ter planejado voar para o Texas e atacar a prisão onde Siddiqui está detida na tentativa de libertá-la foi condenado a 22 anos de prisão. / AP

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