Quatro pessoas são assassinadas em ataque no oeste do Paquistão

Grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou autoria do ataque, motivado pela religião das vítimas; todos os mortos eram cristãos, grupo minoritário e alvo de discriminação no país islâmico

O Estado de S.Paulo

03 Abril 2018 | 02h30

ISLAMABAD – Quatro pessoas da mesma família foram assassinadas a tiros na cidade de Quetta, no oeste do Paquistão, na noite dessa segunda-feira, 2. O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do ataque.  Segundo as autoridades, o crime foi motivado por questões religiosas, visto que as vítimas eram cristãs, grupo considerado minoria no país islâmico.

De acordo com a polícia, as vítimas viajavam em um riquixá para visitar familiares quando foram surpreendidos por homens armados montados em motocicletas que abriram fogo. Três irmãos e a esposa de um deles morreram no ataque. Uma menina, filha de um dos mortos, ficou ferida e está internada no Hospital Civil de Quetta.

"Ao que parece, o ataque foi planejado", disse o oficial de polícia Moazzam Jah Ansari à agência Reuters. "Foi um ato de terrorismo".

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Considerada uma das regiões mais perigosas do Paquistão, a cidade de Quetta, capital da província de Baluchistão, é dominada pela presença de grupos separatistas armados, facções talibãs e grupos terroristas. O Estado Islâmico é um desses grupos e conta com membros que integraram outras organizações extremistas islâmicas, que defendem visões sectárias contra muçulmanos shiitas e não-mçulmanos. Por conta disso, a comunidade cristã do país, formada por menos de 4 milhões de pessoas em um país de 200 milhões de habitantes, tem sido discriminada e sofrido atentados violentos nos últimos anos.

Em dezembro do ano passado, um ataque realizado por dois homens-bomba contra uma igreja metodista em Quetta matou 10 pessoas e feriu outras 44 poucos dias antes do Natal. Em março de 2016, 71 pessoas foram assassinadas em um atentado suicida na cidade de Lahore. À época, o grupo talibã Jammat-ul-Ahrar clamou autoria pelo crime e afirmou que foi dirigido aos cristãos que celebravam a Páscoa.

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O ataque desta segunda-feira aconteceu um dia depois da celebração do Domingo da Ressurreição, festividade comemorada pela comunidade cristã paquistanesa. //EFE e REUTERS

 

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