Quatro razões para a Rússia vetar ação contra a Síria no CS

Cenário: Gustavo Chacra

O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2012 | 03h01

ARússia deve vetar mais uma resolução no Conselho de Segurança da ONU condenando o regime de Bashar Assad, caso o texto siga o esboço em debate. Quatro são os motivos.

Primeiro, Moscou não confia no Ocidente e tampouco dará uma segunda chance depois da ação da Otan na Líbia, quando, na visão russa, a aliança transformou uma "zona de exclusão aérea" em uma campanha de bombardeios contra o regime de Muamar Kadafi.

Em segundo lugar, a Rússia vende armas para a Síria, assim como os EUA vendem para a Arábia Saudita e Bahrein, que também reprimem a oposição. Moscou não quer abdicar das centenas de milhões de dólares que fatura anualmente com este comércio.

Terceira razão: a Rússia tem um entreposto militar na costa da Síria. O regime de Damasco sempre foi um aliado de Moscou na Guerra Fria. Não faz sentido para o país abandonar essa parceria e ficar sem uma base no Mediterrâneo. Os EUA, por terem uma base em Bahrein, também impedem qualquer tentativa de levar a discussão da repressão da monarquia Al Khalifa contra os opositores para o Conselho de Segurança.

Por último, a Rússia tem uma visão distinta do que acontece na Síria. E isso inclui a academia. Yevgeny Satanovsky, presidente do Instituto de Oriente Médio de Moscou, disse em entrevista ao New York Times que a crise síria "não é uma escolha entre o bom e o ruim. É uma escolha entre o ruim, que vivemos agora, e o terrível e o apocalíptico".

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