Quatro semanas depois, resultado da intervenção é pífio

Um mês atrás, as tropas leais ao líder líbio, Muamar Kadafi, avançavam sobre áreas da oposição, milhares de civis temiam pela própria vida e as forças rebeldes pareciam desorganizadas, com poucas perspectivas de derrubar o ditador. Depois de quase quatro semanas e centenas de ataques aéreos dos EUA e de aliados da Otan, houve poucas mudanças.

David Cloud e Ned Parker, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

Kadafi não mais ameaça Benghazi, a capital dos rebeldes, e a Força Aérea da Líbia não pode mais levantar voo. No entanto, as tropas da oposição continuam inferiores às do Exército de Kadafi, que não dá sinais de desistir. Na realidade, nos últimos dias, o ditador intensificou a contraofensiva.

Militares americanos reconhecem que talvez suas convicções antes da intervenção estivessem erradas. Uma tese que se provou incorreta é a de que o simples poderio aéreo afetaria as forças de Kadafi a ponto de ele ser obrigado a parar os ataques.

"Entramos nessa operação sem um planejamento", disse o general do Exército David Barno, que já comandou as forças americanas e da Otan no Afeganistão. "Agora, estamos andando em círculos."

De certo modo, as forças do líder líbio revelaram-se surpreendentemente preparadas. Em vez de usar carros blindados que chamam a atenção de aviões de vigilância, por exemplo, elas camuflaram os deslocamentos das tropas usando o mesmo tipo de caminhonete dos rebeldes, disfarçando os veículos com a bandeira da oposição.

O fracasso da campanha apresenta um dilema cada vez maior a Barack Obama e a outros líderes da Otan. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o premiê britânico, David Cameron, querem intensificá-la. Um acordo, porém, pode dividir ainda mais a aliança. Ao que tudo indica, ninguém sabe como romper o impasse. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

SÃO JORNALISTAS DO "MCCLATCHY NEWSPAPERS"

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