REUTERS/Jonathan Bachman
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Quatro senadores republicanos anunciam ser contrários à lei que substitui o Obamacare

No cenário atual, projeto fica em risco porque para o texto ser aprovado no Senado, partido poderia perder apenas dois votos entre os 54 republicanos

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2017 | 17h33

WASHINGTON - Quatro senadores republicanos anunciaram que não votarão a favor da proposta de rejeição do Obamacare divulgada pela liderança do partido no Senado na manhã desta quinta-feira, 22, o que ameaça inviabilizar a entrega de uma das principais promessas de campanha de Donald Trump.

Os rebeldes integram a ala mais conservadora da legenda, que gostaria de ver um desmonte mais agressivo da reforma do sistema de saúde implementada pelo ex-presidente Barack Obama a partir de 2010. Na semana passada, Trump classificou de "cruel" o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados no início de maio em almoço com 15 senadores da legenda. Em discurso na noite de quarta-feira, o presidente defendeu uma proposta que tenha "coração".

Mas a revisão do projeto feita pelo Senado foi considerada ainda mais "cruel" por analistas do que a versão que saiu da Câmara. Em linhas gerais, ela beneficia os mais ricos e saudáveis e penaliza os mais pobres e doentes. 

O texto elimina impostos cobrados sobre ganhos em investimentos de pessoas de alta renda, que é usado para custear parte do Obamacare. Ao mesmo tempo, ele reduz subsídios para pessoas de renda baixa e média comprarem seguro-saúde e abre a porta para os Estados retirarem itens da lista de procedimentos de cobertura obrigatória.

Ainda assim, a proposta não foi considerada satisfatória pelos senadores Ted Cruz, Rand Paul, Ron Johnson e Mike Lee, que estão entre os mais conservadores da Casa. "Há provisões nessa proposta que representam um aperfeiçoamento do nosso atual sistema de assistência médica, mas não parece que essa proposta, como escrita, alcançará a mais importante promessa que fizemos aos americanos: rechaçar o Obamacare e reduzir os custos de sua assistência médica", disseram os quatro em nota.

O projeto prevê a redução dos recursos destinados à expansão do Medicaid a partir de 2021. Esse foi o principal canal de aumento do número de americanos pobres que passaram a ter cobertura de assistência médica nos últimos anos.

Esse é um dos principais pontos de preocupação da ala moderada do Partido Repubicano. Segundo a imprensa americana, Susan Collins, Lisa Murkowski, Rob Portman e Shelley Moore manifestaram dúvidas em relação à proposta. O senador Dean Heller questionou abertamente o conteúdo do proejto. "Eu tenho sérias preocupações sobre o impacto do projeto de lei sobre os moradore de Nevada que dependem do Medicaid", afirmou, fazendo referência a seu Estado.

Os republicanos devem enfrentar no Senado a mesma divisão entre conservadores e moderados que dificultou a aprovação da proposta na Câmara. Qualquer concessão a um dos lados enfraquece o apoio do outro. E no Senado, a legenda tem uma maioria estreita, com 54 dos 100 integrantes da Casa.

As divergências reduziram as chances de que a rejeição do Obamacare seja votada antes do recesso de 4 de julho, como planejava a liderança republicana no Senado.

 

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