Quatro sérvios são condenados por massacre em Kosovo

Um tribunal de crimes de guerra condenou hoje quatro ex-policiais sérvios pelo massacre de 48 albano-kosovares. Depois de um julgamento de três anos, dois dos homens foram sentenciados a uma pena máxima de 20 anos de prisão, um deles a 15 anos e outro a 13 anos de detenção. Todos os réus negaram as acusações. Outros três homens que também foram julgados foram inocentados. Na Sérvia, o fato de o julgamento ter acontecido marca uma mudança, já que os que lutaram contra separatistas albaneses étnicos em Kosovo continuam a ser reverenciados por muitos como heróis.

AE-AP, Agencia Estado

23 de abril de 2009 | 18h28

O juiz do tribunal disse que as vítimas do pior massacre de civis durante a guerra de Kosovo (1998-1999) incluíam 14 crianças, dois bebês, uma mulher grávida e uma mulher de cem anos. Porém, promotores do tribunal de crimes de guerra afirmaram que vão recorrer do veredicto, especialmente porque o principal suspeito, o comandante da unidade da polícia especial que realizou o massacre, foi absolvido. "Nós não podemos ficar satisfeitos com o veredicto", protestou Bruno Vekaric, o porta-voz da acusação. "A justiça não foi feita".

O veredicto diz que os réus cercaram os membros de uma família albano-kosovar na vila de Suva Reka, em março de 1999, matando vários homens com metralhadoras antes de levar o restante das pessoas a uma pizzaria e jogar granadas de mão contra elas. Os que mostravam algum sinal de vida eram alvejados na cabeça. Inicialmente, seus corpos foram enterrados numa vala comum em Kosovo. Uma mulher sobreviveu ao fingir-se de morta e pular de um caminhão onde os corpos estavam empilhados.

As vítimas foram posteriormente transferidas para valas comuns perto de uma instalação policial de alta segurança nas cercanias de Belgrado, a capital do país. Suspeita-se que o ex-presidente Slobodan Milosevic tentou esconder as atrocidades cometidas por suas tropas em Kosovo. As autópsias mostraram que as vítimas foram executadas. O ex-presidente morreu em 2006, quando era julgado por genocídio num tribunal de crimes de guerra da Organização das Nações Unidas (ONU) em Haia, na Holanda.

As pressões feitas por grupos de direitos humanos fizeram com que Belgrado iniciasse uma investigação para descobrir quem era culpado pelo massacre de Suva Reka. Mais de cem testemunhas, dentre elas albano-kosovares, foram interrogadas durante o julgamento.

Governo de Kosovo

O governo de Kosovo saudou o veredicto, mas pediu que as autoridades Sérvias procurem fazer justiça em outros casos de crimes cometidos contra albaneses étnicos durante a guerra de Kosovo. "Nós saudamos cada decisão da Justiça que lance luz sobre as atrocidades cometidas em Kosovo durante a guerra", disse Memli Krasniqi, porta-voz do governo de Kosovo. "Todavia, achamos que isso não deve terminar com um caso apenas. Acreditamos que a justiça precisa ser feita em mais de uma dúzia de casos que ainda não foram julgados." Kosovo declarou independência no ano passado, algo que a Sérvia se recusa a reconhecer.

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