Queda de avião afeta relação EUA-Rússia

Se for confirmado um ataque, Obama seriapressionado a enviar armas para Ucrânia

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2014 | 02h01

A eventual confirmação de que o avião da Malaysia Airlines foi derrubado na Ucrânia com 298 pessoas a bordo mudará o relacionamento entre EUA e Rússia, além de aumentar a pressão sobre o presidente Barack Obama para fornecer armas ao governo de Kiev.

A anexação da Crimeia e o apoio de Moscou a separatistas no leste da Ucrânia já havia deteriorado a relação entre Obama e Vladimir Putin e justificado sanções econômicas contra a Rússia. Se for comprovado que o avião foi abatido, a tensão entre os dois países aumentará de maneira significativa.

A Grã-Bretanha pediu ontem uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir a queda do Boeing, que partiu de Amsterdã e levava vários europeus. O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, disse ontem que é importante esclarecer o mais rápido possível o caso em razão das "possíveis repercussões" que podem ir além da "trágica perda de vidas". "Essa é uma situação realmente grave", afirmou.

A crise pode atingir um patamar ainda mais alarmante se a trajetória do míssil demonstrar que ele partiu do lado russo da fronteira, onde milhares de soldados se concentram. "Se isso for o resultado de ações de separatistas ou de russos que acreditavam se tratar de um avião de guerra ucraniano deve haver reação", disse o senador republicano John McCain, derrotado por Obama nas eleições presidenciais de 2008.

McCain disse que o caso tem "a marca de um trágico erro cometido por alguém que tinha a capacidade de derrubar um avião". "Sabemos pelas últimas semanas que essa capacidade pode ser russa ou de separatistas russos", afirmou.

O senador democrata Robert Menendez, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, também defendeu reação ao suposto ataque. "Se o avião foi derrubado, um avião civil com inocentes, deve haver consequências reais para quem for responsável."

Na avaliação do deputado democrata Eliot Engel, a confirmação de que o voo foi derrubado colocará a crise da Ucrânia em uma "nova dimensão". Nesse cenário, ele defendeu que a Otan deixe de considerar a Rússia como um parceiro e passe a tratar o país como adversário. "São civis inocentes. Isso é um ato de terror", observou Engel, que integra a Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Representantes.

McCain defendeu o envio de armas para o governo da Ucrânia e a imposição de sanções que tenham impacto mais amplo que as adotadas até agora. Por enquanto, Obama anunciou medidas de caráter pontual, que atingem indivíduos ou companhias russas com o objetivo de evitar impacto nas economias europeias e americana.

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