Queda de avião levou europeus a adotar rigor

Apesar da pressão dos EUA, países da UE temiam que sanções a Moscou afetassem suas economias

Griff Witte, The Washington Post/O Estado de S.Paulo

30 Julho 2014 | 02h01

A União Europeia pôs fim a meses de hesitações e concordou em impor uma série de duras sanções econômicas contra a Rússia. Fazia tempo que os EUA cobravam uma posição mais dura da Europa, mas sempre encontraram a resistência das autoridades europeias, preocupadas com as implicações para as suas economias. A chanceler alemã, Angela Merkel, liderava o grupo de líderes europeus que queriam atenuar a crise na Ucrânia por meio do diálogo com Moscou, não por medidas punitivas.

Mas a queda do avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia, atribuída pelo Ocidente a rebeldes pró-Rússia, convenceu a Europa a agir rapidamente contra Moscou.

"O avião mudou tudo", afirmou Sophia Pugsley, especialista em relações EUA-Rússia no Conselho Europeu de Relações Exteriores. "Na realidade, o que mudou foi a atitude da Alemanha. Este país sentirá particularmente as consequências negativas nos setores da economia que dependem da Rússia."

A Rússia fornece cerca de um terço do gás usado na Alemanha. Outros importantes países europeus também mantêm estreitos vínculos econômicos com Moscou, como a Grã-Bretanha, que precisa do dinheiro russo para alimentar seu próspero setor bancário, e a França que vende navios de guerra à Rússia para manter vivo seu setor de Defesa.

O impacto das sanções já estava sendo sentido ontem na Europa, quando algumas companhias se apressaram a cancelar suas negociações com parceiros russos. Em Londres, o efeito foi sentido de maneira mais acentuada nas financeiras, que tentam limitar sua exposição a todo segmento da economia russa que possa ser atingido pelas novas sanções.

Ontem, a gigante British Petroleum emitiu um comunicado informando que as novas sanções à petrolífera russa Rosneft poderão "ter consequências materiais negativas em nosso relacionamento e nossos investimentos na Rosneft, em nossos objetivos empresariais e estratégicos na Rússia, em nossa posição financeira e nos resultados de operações".

Até meados de julho, o principal índice de ações da Rússia, o MICEX, recuperara-se do tumulto econômico após a anexação da Crimeia, em março. Mas os golpes infligidos pelas sanções americanas no dia 16, e a queda do avião malaio no dia 17, provocou uma queda de 7% da Bolsa, e os investidores internacionais mostram-se cada vez mais reticentes.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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