Joint Task Force-Sulu via AP
Joint Task Force-Sulu via AP

Queda de avião militar deixa ao menos 52 mortos nas Filipinas

Aeronave levava tropas para combater facção islâmica na província de Sulu, no extremo sul do país

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2021 | 05h48
Atualizado 05 de julho de 2021 | 11h13

MANILA — Um avião da Força Aérea Filipina caiu no sul do país asiático neste domingo, 4, matando pelo menos 52 das 96 pessoas que estavam a bordo. Equipes de resgate estão no local e 40 sobreviventes já foram retirados dos destroços da aeronave, disse o secretário de Defesa, Delfin Lorenzana. Seis pessoas seguem desaparecidas.

O avião de transporte Hercules C-130 caiu ao tentar pousar em Patikul, na província de Sulu, no extremo sul do arquipélago, onde o exército trava uma longa guerra contra militantes islâmicos da facção Abu Sayyaf.

O último balanço do exército indica que os mortos são três civis e 49 militares.

Três pessoas morreram no terreno enquanto trabalhavam nos destroços em uma pedreira, disse o líder local Tanda Hailid à AFP.

Fotos do local divulgadas pelas equipes de resgate mostraram a cauda danificada e os restos fumegantes da fuselagem do avião entre uma plantação de coco.

“Temos pessoal no terreno para proteger as evidências que vamos recuperar, principalmente o registro de informações de voo”, disse o porta-voz das Forças Armadas  filipinas, general Edgard Arevalo.

Ele acrescentou que a investigação inclui relatos de testemunhas, gravações e conversas por rádio entre o piloto e a torre de controle.

Alguns soldados foram vistos saltando do avião antes de este atingir o solo e pegar fogo, disse o general William Gonzales, comandante da força de intervenção conjunta de Sulu.

Este é um dos acidentes de aviação militar mais mortíferos da história do país.

Ainda é incerto o que teria causado o acidente. O comandante militar regional, tenente-general Corleto Vinluan, disse ser improvável que a aeronave tenha sido atacada, e citou testemunhas que afirmaram que ela parecia ter ultrapassado a pista.

“É muito lamentável”, disse o chefe do estado-maior militar. “O avião perdeu a pista e estava tentando recuperar a potência, mas falhou e caiu.”

O principal aeroporto da província de Sulu, Jolo, está localizado a poucos quilômetros de uma área montanhosa onde as tropas lutam contra Abu Sayyaf. Um oficial da Força Aérea disse à Associated Press que a pista de Jolo é mais curta do que a maioria das outras no país, tornando difícil para os pilotos se ajustarem se uma aeronave perder o local de pouso.  

O Hercules C-130 havia chegado às Filipinas recentemente. Foi uma das duas aeronaves concedidas pelo governo dos Estados Unidos por meio da Defense Security Cooperation Agency, de acordo com um anúncio do site do governo em janeiro. À época, um porta-voz da Força Aérea disse que a aeronave aprimoraria a capacidade do país para missões de transporte aéreo.

A aeronave era uma das quatro integrantes da frota do país. Dois deles estão em reforma.

"Os pilotos do voo são experientes, então não podemos dizer imediatamente como isso aconteceu", disse Arévalo. “Mesmo que estes (equipamentos militares) não sejam novos”, eles estão em boas condições de uso.

O acidente foi o mais mortal para a Força Aérea das Filipinas, disse José Antonio Custodio, historiador e analista militar.

"Este é o pior acidente de um avião militar filipino, com 50 mortes até agora, em comparação com as 40 mortes no acidente de um PAF C-47 em 1971", disse Custodio à AFP.

Fumaça preta

Fotos publicadas pelo canal de televisão local Pondohan TV na sua página do Facebook mostraram a fuselagem do avião em chamas. Uma coluna de fumaça preta espalhada sobre casas perto do local do acidente.

O avião tentou "recuperar força, mas falhou", segundo o general Cirilito Sobejana das forças armadas Sobejana.

Os relatórios iniciais indicam que o avião se partiu em dois, disse o tenente-general Corleto Vinluan, chefe do comando de Mindanau Ocidental, à AFP.

Um estudante de 21 anos de idade, Almar Hajiri Aki, disse à AFP que estava parado à beira da estrada quando ouviu "uma explosão estrondosa".

"Pensei que a nossa casa tinha sido atingida", disse o jovem, que correu com os seus vizinhos para ajudar a retirar os soldados dos escombros.

Quarto incidente em um ano 

Muitos dos passageiros tinham recentemente terminado o treino militar básico e estavam sendo destacados para a ilha como parte de uma força conjunta de combate a grupos armados na região de maioria muçulmana.

Os militares têm uma forte presença no sul das Filipinas, onde grupos como o Abu Sayyaf operam, realizando frequentemente raptos.

Os aviões C-130 são utilizados para transportar tropas e mantimentos. São também frequentemente destacados para prestar assistência humanitária e auxílio em catástrofes.

O senador Richard Gordon disse que esse é o quarto acidente de um avião militar este ano com "baixas maciças". "Estamos comprando aviões defeituosos com o dinheiro do povo?", questionou ele no Twitter.

No mês passado, um helicóptero Black Hawk despencou durante um voo de treino noturno, matando as seis pessoas a bordo. /AFPAP e Reuters

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