Arquivo/AFP
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Queda de Bo Xilai está relacionada a grampos telefônicos, diz jornal

Ex-dirigente do Partido Comunista teria feito escutas ilegais de conversas entre políticos

estadão.com.br,

25 de abril de 2012 | 21h02

PEQUIM - A queda do dirigente do Partido Comunista (PC) chinês Bo Xilao está relacionada a grampos telefônicos encomendados por ele, informou nesta quarta-feira, 25, o jornal The New York Times.

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Em agosto de 2011, quando Hu Jintao - presidente do país - telefonou para falar com um oficial anti-corrupção que visitava Chongqing, aparelhos detectaram que a ligação estava sendo grampeada por oficiais locais.

Até agora, a queda de Xilai estava ligada à sua ambição por poder - vista com desaprovação por líderes do partido - e pelas acusações de que sua mulher assassinou o consultor inglês Neil Heywood.

O caso de hackeamento de telefones, que antes estava segredado apenas aos membros do Partido Comunista, aparentemente forneceu outra razão para que os líderes do partido expulsassem Bo Xilai.

O grampeamento de uma ligação do presidente da China também evidencia o nível de desconfiança entre líderes do PC, diz o The New York Times.

Quase doze fontes, que mantém ligações com o governo, falaram anonimamente ao jornal e confirmaram o escândalo. A narrativa oficial do partido para a queda de Bo Xilai é relacionada à morte de Heywood. Os membros do partido, no entanto, veem o caso do grampo como uma ofensiva direta às autoridades centrais do partido, e mostrou a que ponto Bo Xilao chegaria para alcançar mais poder no PC.

Segundo os membros do partido, incluindo editores, acadêmicos e militares, o esquema de escutas de Bo Xilai começou há muitos anos como parte de uma iniciativa financiada pelo Estado para combater o crime e manter a estabilidade do governo.

O responsável pelas operações foi Wang Lijun, chefe de polícia que era conhecido por combater crimes no país. Eles instalaram um "enorme pacote de escutas que envolvia telecomunicações à internet", disse a mídia oficial do governo na época.

 

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