Queda de líder checo constrange europeus

A moção de censura contra o primeiro-ministro da República Checa, Mirek Topolanek, aprovada pelo Parlamento na terça-feira, revelou o constrangimento e o vácuo de liderança formal na União Europeia. Topolanek exercia a presidência rotativa do Conselho Europeu -a instância que reúne 27 chefes de Estado e de governo do bloco - e deveria liderá-los às vésperas do G-20 e das cúpulas UE-Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).A censura, a quarta proposta pela oposição social-democrata desde o início do mandato de Topolanek, em 2007, foi aprovada pelo Parlamento da República Checa na noite de terça-feira, em Praga. Embora o país atravesse turbulências econômicas - como todo os países do Leste Europeu -, a queda do governo teve raízes em disputas internas entre a oposição e a base de apoio. Diante do voto de desconfiança, o primeiro-ministro será obrigado a demitir-se e a dissolver seu governo -, ainda que a Constituição não fixe prazo para isso.As divergências no Legislativo checo não receberiam destaque caso Topolanek não exercesse neste semestre a presidência rotativa do Conselho Europeu. Na prática, a censura interna também retirou legitimidade de sua gestão à frente do bloco, uma semana antes de uma sequência de reuniões de cúpula internacionais. No dia 2, ocorre em Londres o encontro do G-20; nos dias 3 e 4, ocorre em Estrasburgo, na França, a cúpula dos 60 anos da Otan, sucedida pela reunião União Europeia-EUA, com a presença do presidente americano, Barack Obama."Enquanto o mundo atravessa turbulência, a elite checa se dá o luxo de uma crise", criticou o cientista político Jean-Michel de Waele, da Universidade Livre de Bruxelas. "O balanço da presidência checa é desastroso."Ontem, o premiê tentou demonstrar serenidade. Avisou a oposição de que será candidato à própria sucessão e assegurou que não abandonará a presidência da UE. "Essa situação não terá impacto sobre a presidência checa", garantiu. A queda de Topolanek reforçou a importância do Tratado de Lisboa, que está sendo votado pelos países-membros e prevê a criação do cargo estável de presidente da UE.

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