Queda de ponte na China deixa pelo menos 29 mortos

Autoridades abrem investigação para esclarecer causas do acidente; ao menos 86 pessoas são resgatadas

Agências internacionais,

14 de agosto de 2007 | 07h45

Uma ponte prestes a ser finalizada na Província chinesa de Hunan desabou, matando 29 pessoas e ferindo outras 22. Além disso, ao menos 46 pessoas estão desaparecidas após a queda da ponte de 320 metros, em cima do rio Tuo. Mais de 100 homens trabalham na remoção dos escombros, segundo o governo informou nesta terça-feira, 14.  Veja também: Vídeo  Segundo informações da agência de notícias Xinhua, pelo menos 86 pessoas foram resgatadas, incluindo os 22 feridos. Cinco deles estão em estado grave. A ponte desabou na segunda, durante o horário do rush noturno, no momento em que trabalhadores retiravam equipamentos de finalização da obra.Imagens da TV estatal chinesa mostraram escavadeiras e equipes de resgates trabalhando em meio a uma pilha de destroços entre as duas margens do rio, que corta uma área turística no oeste de Hunan.Cerca de 400 policiais foram mandados ao local para manter a ordem e mais de 1.000 funcionários de resgate procuram desaparecidos, de acordo com a Xinhua."Vi muitos corpos na estrada, alguns deles de trabalhadores da construção da ponte e alguns de pessoas que passavam. Há sangue por todos os lados", contou à Reuters Yang Shunzhong."Um carro foi esmagado embaixo da ponte e ficou tão danificado que não consigo nem dizer que tamanho tinha."A TV estatal informou que o número de mortos é de 22, mas Yang afirmou que a polícia havia dito a ele que encontrara 60 corpos e que "pessoas no local" acreditam que esse total deve aumentar.Acidentes de trabalho são comuns na China, onde regulamentações de segurança são irregulares e empresas procuram cortar custos, resultando em milhares de mortos anualmente nas minas de carvão, fábricas e obras do país. Problemas estruturaisO desabamento da ponte ocorre no momento em que a imprensa estatal noticiou que a China consertaria mais de 6.000 pontes danificadas ou perigosas em todo o país. A queda de uma ponte em junho na Província de Guangdong matou nove pessoas. Em junho, nove pessoas morreram na província de Cantão, no sul da China, depois de um navio carregado de areia se chocar contra um pilar de uma ponte, derrubando um trecho de 150 metros pelo qual passavam vários veículos e pedestres.Na ocasião, inicialmente a imprensa chinesa afirmou que não havia vítimas mortais. Mas, nos dias seguintes, as equipes de resgate encontraram nove corpos. Após o acidente, o Ministério de Comunicações anunciou um plano para inspecionar e reparar mais de 6 mil pontes.Segundo o relatório anual de manutenção de estradas elaborado pelo Ministério, no fim de 2006 havia na China cerca de 6.300 pontes "em estado perigoso, com alguns componentes estruturais importantes seriamente danificados".O plano do Ministério é que todas as pontes das estradas nacionais e provinciais e da maioria das estradas dos distritos se tornem seguras até 2010.Segundo o jornal estatal "China Daily", entre os anos 2000 e 2005 o Governo gastou US$ 1,97 bilhão na reparação de 7 mil pontes. Também implantou um sistema de manutenção que obriga as empresas de construção de estradas a contratar engenheiros para controlar as suas estruturas.Segundo o secretário-geral do Instituto de Pontes e Engenharia Estrutural, Xiao Rucheng, "no passado, desenhar uma ponte exigia pelo menos um ano, mas agora costuma levar um mês". A rapidez nas obras resulta em defeitos no desenho e na construção. Ele acrescentou que um dos problemas das pontes construídas nos últimos 20 anos é que os engenheiros não previram o grande tráfego atual. As estruturas não estão preparadas para suportar tanto peso. Na China há mais de 500 mil pontes, a maioria construída nas duas últimas décadas. Matéria ampliada às 09h50.

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