Queda de premiê agrava crise na Líbia Tropas cercam reduto kadafista

Congresso destitui Mustafa Abushagur, eleito no mês passado, que vinha tendo dificuldades para montar um governo de coalizão

TRÍPOLI, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2012 | 08h37

O Congresso Nacional da Líbia destituiu ontem o primeiro-ministro Mustafa Abushagur, eleito no mês passado. O premiê assumiu em setembro, mas vinha tendo dificuldade para montar um governo de coalizão. Depois de ver seu primeiro gabinete ser dissolvido, ele teve a nomeação de dez novos ministros rejeitada pelo Parlamento ontem. Em seguida, um voto de desconfiança o destituiu.

A primeira lista de ministros fora rejeitada pelo Congresso e por parte da opinião pública líbia por ter sido considerada pouco representativa. Na quinta-feira, ao menos cem manifestantes vindos da cidade de Zawiyah, nos arredores de Trípoli, ocuparam a sede do Parlamento em protesto contra Abushagur.

Segundo analistas, a lista original com 29 ministros tinha muitos nomes desconhecidos, alguns deles ligados ao braço político da Irmandade Muçulmana.

De acordo com o ex-premiê, houve pressão dos partidos políticos, que não abriam mão de determinados ministérios. "O primeiro gabinete não foi bem-sucedido. Continha alguns erros e eu estava preparado para consertá-los", disse Abushagur ontem ao Congresso. "Alguns dos líderes que queriam cargos começaram a discutir o voto de desconfiança. Não me curvarei a pressões de entidades políticas."

O Parlamento deve eleger um novo primeiro-ministro nos próximos dias. De acordo com o parlamentar independente Nizar Kawan, próximo à Irmandade Muçulmana, há negociações entre o grupo islâmico moderado e a coalizão secular liderada pelo ex-primeiro-ministro do governo de transição Mahmoud Jibril.

O futuro líder terá a missão de reconstruir instituições desmanteladas durante o regime de Muamar Kadafi (1969-2011), como a polícia e o Exército. Na área de segurança, um dos grandes desafios é lidar com as milícias armadas durante a revolução que derrubou o coronel no ano passado, muitas delas formadas por radicais islâmicos.

Uma delas é suspeita do ataque ao Consulado dos EUA em Benghazi, no mês passado, que matou o embaixador Christopher Stevens. O governo líbio tenta controlar esses grupos armados e integrá-los às forças regulares de segurança pública. / AP e REUTERS

Tropas do governo líbio cercaram ontem a cidade de Bani Walid, reduto de partidários do líder Muamar Kadafi, morto no ano passado. De acordo com a CNN, a cidade está sem água e comida, despertando protestos de moradores e organizações de defesa dos direitos humanos. O motivo do cerco foi a morte de um revolucionário envolvido no ataque que matou Kadafi. Sequestrado ao lado de dois companheiros em Bani Walid em julho, ele morreu em razão dos maus tratos.

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