Queda de viaduto mata 22 e deixa dezenas sob escombros na Índia

Autoridades estimam que mais de 100 pessoas estejam debaixo da estrutura que estava em construção; causas do incidente ainda são desconhecidas

O Estado de S. Paulo

31 de março de 2016 | 09h40

CALCUTÁ, ÍNDIA - Pelo menos 22 pessoas morreram, 100 ficaram feridas e outras dezenas estão presas sob os escombros de uma viaduto que desabou nesta quinta-feira, 31, na cidade de Calcutá, no leste da Índia. O número de vítimas foi confirmado por Anil Shejawat, porta-voz da Unidade de Gestão de Desastres da Índia. "Quinze pessoas morrerem e mais de 100 foram resgatadas e enviadas para os hospitais", afirmou.

As autoridades calculam que cerca de uma centena de pessoas ficaram soterradas após o desmoronamento do viaduto, que estava em construção, disse uma fonte da polícia local. "As operações de resgate seguem em curso já que há muitas pessoas presas debaixo dos escombros", garantiu Anurag Gupta, porta-voz da Unidade de Gestão de Desastres.

Centenas de pessoas abarrotam o lugar, uma área muito movimentada do norte da cidade, e colaboram nos trabalhos de resgate, como mostram as imagens divulgadas por emissoras locais. A Força Nacional de Resposta a Desastres também enviou várias equipes de emergências da sua base, a cerca de 13 quilômetros, informou o diretor-geral dessa autoridade, O.P. Singh. O Exército também enviou militares à região.

De acordo com informações preliminares, os operários estavam trabalhando no viaduto quando uma seção de cerca de 100 metros desabou sobre uma rua cheia de pedestres e veículos. Imagens da TV indiana mostraram um guindaste sendo utilizado para retirar um carro dos escombros - onde também era possível ver que um ônibus foi esmagado pela obra.

Um trabalhador que ficou ferido disse que durante a manhã os parafusos da estrutura começaram a afrouxar. "Nós estávamos furando duas vigas de aço para colocar os pilares, mas as vigas não suportaram o peso do cimento", disse Milan Sheikh, de 30 anos.

Uma testemunha afirmou que antes do viaduto desabar foi ouvido um forte ruído "que parecia com a explosão de uma bomba" e depois havia muita fumaça e poeira. "Escutamos um estrondo enorme e nossa casa sacudiu violentamente. Pensamos que se tratava de um terremoto", disse Sunita Agarwal, que mora na região há 45 anos. 

Mamata Banerjee, autoridade regional de Bengala Ocidental, afirmou que os responsáveis pela tragédia não sairão impunes. Já P Rao, representante da empresa de construção indiana IVRCL, que ganhou a licitação para erguer o viaduto, descreveu o desastre como "um ato de Deus".

A construção do viaduto de dois quilômetros de comprimento começou em 2009 e deveria ser concluída em um ano e meio, mas sofreu uma série de atrasos. Orçada em US$ 25 milhões, apenas 55% da obra está concluída depois de sete anos. 

Esse tipo de acidente é relativamente frequente na Índia, devido ao precário estado das infraestruturas e à falta de manutenção, fatores alimentados pela corrupção e práticas ilegais que dominam o setor da construção no país. / AFP e EFE

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