Queda do petróleo mina reconstrução do Iraque

Baixa cotação do barril, principal fonte de renda do Estado iraquiano, e crise nos EUA engessam a maior parte dos projetos de infraestrutura

Campbell Robertson e James Glanz, THE NEW YORK TIMES, BAGDÁ, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

Em poucos países do globo as consequências da crise financeira são tão potencialmente graves como são para o Iraque. Tanto as receitas do petróleo como o apoio financeiro americano despencaram justo quando o país tinha a chance de tirar vantagem de sua crescente estabilidade para melhorar serviços básicos e modernizar sua infraestrutura arruinada.Agora, projetos estão sendo adiados enquanto o Iraque batalha para pagar os enormes aumentos salariais concedidos pelo governo ao funcionalismo público, além dos salários e equipamentos para as centenas de milhares que integram as novas forças de segurança iraquianas. Em meados do ano passado, com os preços do petróleo acima de US$ 100 o barril, o Iraque estava tão forrado de dinheiro que muitos nos EUA argumentavam que um país tão rico deveria estar pagando por sua reconstrução.Seis meses depois, a questão é se uma queda na arrecadação do governo iraquiano, que depende quase inteiramente do petróleo, poderia ameaçar a relativa segurança e estabilidade obtida ao custo de tantos recursos e vidas americanas. Uma economia iraquiana estável e uma força militar bem preparada são cruciais para as tropas de combate americanas serem retiradas até agosto de 2010. Enquanto o Parlamento iraquiano debatia uma proposta orçamentária de US$ 62,8 bilhões na última semana, autoridades americanas e iraquianas diziam que o país poderia evitar uma crise imediata recorrendo à mesma fonte que atraiu críticas tão intensas nos EUA: os bilhões de dólares em receitas de petróleo que o Iraque foi incapaz de gastar em projetos de reconstrução. Esse dinheiro, que segundo o Banco Central do Iraque se aproxima de US$ 35 bilhões, está parado em várias contas bancárias, incluindo uma em Nova York no Federal Reserve (banco central).Para ajudar a tapar o buraco, o Iraque pretende sacar em torno de US$ 20 bilhões em um único ano. Mas isso, dizem autoridades federais, não seria suficiente para salvar projetos de reconstrução essenciais para melhorar serviços gravemente imperfeitos."É uma questão matemática", disse Raed Fahemi, ministro de Ciência e Tecnologia, numa conferência dedicada a encontrar alternativas para o dinheiro do petróleo. "Estamos quebrando a cabeça para garantir os recursos necessários para os projetos em curso." O motivo pelo qual projetos de investimentos de longo prazo estão sendo adiados é que os fundos de reserva nos bancos eram originalmente destinados a serem gastos como parte do orçamento desses projetos, e não para cobrir buracos nos custos operacionais do dia a dia, que agora absorvem 80% da proposta orçamentária para 2009. E a menos que os preços do petróleo aumentem ou o Iraque encontre novas fontes de receita, seu cofrinho no Federal Reserve não vai durar muito.De muitas maneiras, a crise financeira não poderia ter chegado em pior hora. E, numa medida crítica agora que os EUA assumem uma responsabilidade cada vez menor pela segurança, o número de soldados, policiais e outros agentes de segurança cresceu de 250 mil há dois anos, quando os preços do petróleo estavam em alta, para 609 mil, segundo o Pentágono. "Há algumas despesas críticas, como pagar os militares e a polícia, e garantir que isso seja feito muito, muito bem", disse Rick Barton, codiretor do projeto de reconstrução pós-conflito no Center for Strategic and International Studies, em Washington. "Não se pode correr o risco de um escorregão neste momento." Mesmo assim, um funcionário do governo disse que os EUA estão confiantes de que os superávits cumulativos do petróleo permitirão enfrentar a tempestade imediata: "A tendência geral ainda é avançar numa direção razoável mesmo que eles não consigam fazer muito do que foi antecipado."COMBATE À CRISERaed FahemiMinistro iraquiano"Garantiremos os recursos necessários para os projetos"

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