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Queda do valor do petróleo afeta rearmamento de Rússia e Venezuela

Apenas na Europa e nos EUA os gastos militares estão retomando força

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2016 | 05h00

A queda no preço de energia fez desabar os gastos militares de governos que dependiam do barril de petróleo. Dados publicados pelo Instituto de Pesquisas da Paz de Estocolmo (SIPRI, em inglês) indicam que o rearmamento de governos como o da Venezuela, Omã, Rússia, Angola ou Equador foram fortemente freados diante dos preços baixos do petróleo. Os números mostram que, depois de anos de expansão, os gastos militares do Brasil também caíram diante da recessão.

No geral, os gastos militares no mundo aumentaram em 1% em 2015, na primeira alta nos investimentos desde 2011, quando os países ricos enfrentavam o auge de sua recessão. No total, US$ 1,6 trilhão foi gasto no setor militar. 

Os EUA continuam na liderança, apesar de uma redução de 2,4% nos gastos. Ainda assim, somaram no ano passado US$ 596 bilhões em armas. A China registrou um salto de 7,4%, somando US$ 215 bilhões. 

Mas o impacto foi sentido pelos governos que dependem dos recursos do petróleo. Na Rússia, a redução foi de 7,5%, para um total de US$ 66 bilhões. Segundo o instituto, os russos não foram os únicos a sofrer. Depois de uma década de expansão dos gastos diante do boom nos preços do barril, esses países tiveram de fazer cortes profundos em 2015.

A maior queda foi registrada na Venezuela, com cortes de 64%. Em Angola, a redução foi de 42%. Países como Bahrein, Brunei, Chade, Equador e Casaquistão também sofreram. 

Na África, o continente registrou a primeira queda em investimentos militares em 11 anos, com redução de 5%. 

As exceções ficaram para os países que enfrentam guerras, como no caso da Arábia Saudita, que adicionou US$ 5,3 bilhões em seus gastos diante da intervenção no Iêmen. 

Já na Europa e nos EUA, os dados mostram que os cortes em gastos militares podem estar perdendo força. A queda vem sendo registrada desde 2009, como resultado da crise econômica mundial. Mas os sinais apontam que essa tendência pode ter chegado a um fim em 2015. 

Juntas, as potências ocidentais viram uma redução de apenas 0,2% em seus gastos militares, enquanto Londres, Paris e Berlim já anunciaram planos modestos de ampliar os investimentos diante das preocupações com a Rússia e a ameaça do Estado Islâmico. 

No caso do Brasil, a queda nos gastos foi sentida e chegou a 2,2%. O motivo, segundo os pesquisadores, foi o momento ruim da economia brasileira, afetando as contas do Estado. O Brasil aparece ainda assim na 11.ª posição como maior investidor no setor militar, com US$ 24 bilhões gastos em 2015. Em dez anos, o salto nos gastos foi de 38%, bem acima da média mundial de aumento de 19%.

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