Queda no preço do barril do petróleo derruba títulos da dívida da Venezuela

Reflexos. Cenário negativo envolvendo principal produto de exportação do país cria dúvidas sobre capacidade do governo de quitar suas dívidas; presidente Maduro descarta hipótese de calote e diz que Estado 'seguirá pagando todos os seus compromissos'

CARACAS, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2014 | 02h03

A forte queda no preço do baril do petróleo venezuelano causou ontem uma significativa baixa na cotação do título da dívida do país. O cenário negativo que envolve o principal produto de exportação do país levantou dúvidas sobre a capacidade da Venezuela de quitar suas dívidas.

O bônus Global 2027, referencial do papel, retrocedeu 4,7% e era cotado entre US$ 55,22 e US$ 56,65 no fim da tarde de ontem, segundo dados da Thomson Reuters. Nas últimas semanas, os papéis venezuelanos têm caído bruscamente em um momento que o governo e a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) deverão honrar vencimentos milionários.

"A baixa dos preços do petróleo é o principal catalisador de uma queda dos títulos da dívida venezuelana", disse Francisco Ghersi, diretor de um fundo de investimento venezuelano, à agência Reuters.

O presidente Nicolás Maduro assegurou que seu país está preparado para realizar os pagamentos dos bônus pendentes este mês e disse confiar que os preços do petróleo vão se recuperar. "Vamos seguir pagando todos os compromissos", disse Maduro. "Agora, no fim de outubro, vencem alguns deles. Estamos prontos para pagá-los imediatamente."

A Venezuela foi o primeiro membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) a pedir, na semana passada, uma reunião extraordinária para discutir os preços do petróleo bruto. Maduro informou ontem que o chanceler Rafael Ramírez - ex-presidente da PDVSA - será o representante venezuelano na reunião.

"Sabemos defender os preços do petróleo", sustentou Maduro, acrescentando que os dólares necessários à economia venezuelana em meio a essa conjuntura estão garantidos.

O preço do barril do petróleo, fonte de US$ 9 a cada US$ 10 que entram na economia do país, caiu nos últimos meses ao seu menor valor desde 2010. Na quarta-feira, o atual presidente da PDVSA, Eulogio Del Pino, disse que o mercado de petróleo entrou em uma "guerra de preços" que não interessa a ninguém.

O analista da empresa IHS Diego Moya-Ocampos afirmou que a baixa nas reservas internacionais também está pressionando os papéis venezuelanos. "O governo tem vontade de pagar, mas começaram a aumentar as dúvidas sobre sua capacidade de pagamento nos próximos três a cinco anos", explicou.

Nesse cenário, a Venezuela realiza a primeira importação de petróleo de sua história. Um navio partiu da Argélia esta semana e deve chegar ao país no dia 26, segundo o jornal venezuelano El Universal. O produto argelino, mais leve, será usado em uma mistura para estimular as vendas do petróleo venezuelano, pesado.

Crime. Ontem, a Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão dos partidos opositores, emitiu um comunicado no qual criticou o que chamou de "juízo de valor" por parte do presidente em suas declarações sobre o homicídio do deputado chavista Robert Serra.

Ele e a mulher, María Herrera, foram mortos no início do mês. Na quarta-feira, Maduro disse em uma entrevista coletiva que um paramilitar colombiano planejou as mortes. "É inaceitável que os chefes políticos, antes da conclusão de uma investigação, já estejam fazendo juízo de valor apontando irresponsavelmente culpados", afirmou o comunicado da MUD. / REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.