Queda no turismo preocupa egípcios

Em Luxor, no sul do Egito, eleitores querem presidente que reative o setor

LUXOR, EGITO , O Estado de S.Paulo

25 Maio 2012 | 03h06

Os navios de turistas flutuam vazios pelo Rio Nilo. Os hotéis estão vagos e os magníficos templos têm hoje poucos e preciosos admiradores. No Egito, o declínio do turismo após o levante popular, afetou bastante Luxor, uma cidade no sul do país que já foi a capital do Egito antigo e fica perto do Vale dos Reis, onde o jovem faraó Tutancâmon foi enterrado. Aqui, o futuro do turismo é o principal tema da eleição presidencial.

Os eleitores - urbanos e rurais, islâmicos e liberais - esperam que o novo governo devolva a vitalidade ao turismo, principal atividade da região, embora sua preferência sobre o candidato mais adequado para reanimar essa indústria varie bastante.

Os islâmicos parecem estar divididos. Aqueles que trabalham no turismo preferem os liberais. A considerável comunidade cristã copta tende a apoiar membros do antigo regime de Hosni Mubarak.

Os moradores de Luxor dizem que o declínio no turismo verificado no ano passado foi o pior desde um massacre de civis em 1997. A cidade precisou de aproximadamente cinco anos para se recuperar após o caso, e os moradores temem a possibilidade de enfrentar destino semelhante agora, a não ser que o Egito eleja um presidente capaz de diversificar a economia e atrair para a região outros tipos de indústria.

"O turismo envolve cada uma das famílias de Luxor, direta ou indiretamente", disse Mohamed Orabi, de 60 anos, que trabalha como contador durante o dia e administra um restaurante à noite. "Uma mulher que cricria galinhas nos vilarejos vende seus ovos para as pessoas que trabalham no turismo. Se não houver trabalho para elas, deixarão de comprá-los."

Dos 13 candidatos cujos nomes estão nas cédulas, aqueles que foram mais mencionados pelos eleitores foram o islâmico reformista Abdel Moneim Aboul Fotouh, o último primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafik, e o nacionalista árabe Hamdeen Sabahi.

"Ninguém pode dizer ao certo como seria o Egito sob o governo de um presidente islâmico", disse Souad Ayad, de 47 anos, um copta que foi atraído pelos apelos de Shafik, que prega um retorno ao sistema previsível - e autoritário - do regime anterior.

Nenhum dos eleitores entrevistados mencionou Amr Moussa, ex-líder da Liga Árabe e um dos mais bem colocados nas pesquisas de opinião, embora ele tenha o apoio de alguns dos envolvidos no turismo em razão de sua fama de defensor da "estabilidade", o termo que os egípcios empregam para se referir aos dias calmos antes de os protestos maciços se tornarem comuns.

Outro candidato pouco mencionado foi Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana. Até antigos defensores da Irmandade se afastaram dele em razão do medo de que um presidente islâmico afugente os turistas. Outro temor é o de ou que o grupo almeje um monopólio político semelhante ao exercido pelo antigo partido de Mubarak, cujos comparsas recebiam acordos extremamente lucrativos para administrarem projetos turísticos na região.

"No Parlamento, tudo bem, mas creio que isto já seja o bastante. A Irmandade não deve controlar tudo", disse Mustafa Mohamed, de 25 anos, que organiza passeios de balão e votou em Abdel Fotouh.

Mohamed disse que seu negócio perdeu 60% da atividade desde o início dos levantes contra Mubarak.

Crise. Os moradores de Luxor dizem não ter visto nada que os leve a crer na projeção otimista do governo provisório, divulgada pelas agências de notícias, segundo a qual o número de turistas visitando o Egito voltaria este ano aos níveis anteriores aos levantes, com 14,5 milhões de pessoas trazendo ao país uma renda de aproximadamente US$ 12,5 bilhões.

O setor do turismo, que emprega cerca de um em cada oito trabalhadores egípcios, foi devastado quando a rebelião e o turbulento período de transição obrigaram milhões de turistas em potencial a cancelar seus planos de viagem.

Abdel Hamid el Senussi, político da Irmandade Muçulmana que foi eleito para o Parlamento como representante de Luxor, disse que a plataforma do Partido da Liberdade e Justiça, da Irmandade, protegia o setor do turismo, mas traria também novas indústrias a Luxor e outras cidades do sul. "Precisamos de uma rede de assistência", disse Senussi. /MCT

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